Londres

Mind the gap

Londres é a cidade do casaquinho. Pode chover a quaquer minuto. Dois segundos depois vem o sol. Daí chove de novo. Nuvens. Cinza. Pega sombrinha. Guarda a sombrinha molhada na bolsa. Oyster na mão. Fone no ouvido. Entra na estação. Derrete no metrô. Troca de estação. Mind the gap. Fecha o nariz para aguentar os fedidos. Olha uma revista. Espia o jornal. Metro. Evening Standard. Escada rolante. Lado direito para ficar parado. Lado esquerdo para subir rápido. Jamais tranque o lado esquerdo. Please. Excuse me. Sorry. Thanks.

Nice to meet you, London.

* Welcome, Bruka!

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Agressividades

O dia que quebrei minha sombrinha no meio da rua

Era um dia nublado. Um dia triste. Um dia medíocre.
Eu caminhava e brigava com o vento. Brigava com as ideias.
Pois o vento ficou brabo comigo. E virou a sombrinha.
Existe cena mais patética do que alguém tentando desvirar uma sombrinha no meio da rua?
Eu estava no meio da rua. E com a sombrinha virada. Tentando desvirar.
Pois não consegui.
E foi minha vez de ficar braba com o vento. Descontei na sombrinha.
Toquei-a no chão. Tive um acesso de fúria.
E quebrei cada estrutura metálica que fazia parte daquela maldita sombrinha.
E a deixei ali, no meio da rua.
Segui para casa com a chuva na pele.
Era um dia nublado. Um dia triste. Um dia medíocre.