Jornalismo

O venâncio-airense que tocou com Elis Regina e Roberto Carlos

Se tem uma coisa que não falta na vida de Cleomar Claudino Becker, de 75 anos, é história da música brasileira. O venâncio-airense mais conhecido como Maninho tocou um grandes nomes, como Elis Regina e Roberto Carlos. Além disso, conviveu com os músicos Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves.

Maninho nasceu na Capital Nacional do Chimarrão, mas aos 11 anos mudou-se com a família. Ele conta que o pai era escrivão e tinha um cartório em Vila Mariante. “Só que ele tirou a tal da sorte grande e foi comprar um armazém em Porto Alegre”, comenta.

Na nova cidade o jovem conheceu a música através de amigos e vizinhos. “Eles saíam à noite com cavaquinho e coisinha e aquilo começou a me soar tão bem”, destaca. Foi uma paixão imediata. “Até hoje a minha alma é alimentada pela música. Música é a minha vida”, enfatiza.

Com 12 anos Maninho já era percussionista. Alguns anos depois seu caminho se cruzou com o de Elis Regina, na época com 11 anos. “Eu fui na rádio com um vizinho que ia fazer um teste e não quis ir sozinho”, explica, referindo-se a Rádio Farroupilha. O músico relata que chegou na sala de ensaio e o chamaram para fazer o pandeiro, pois um artista tinha faltado. Ele aceitou e acabou sendo convidado para retornar no próximo fim de semana.

“Semana seguinte apareceu lá uma garota, meio cambotinha, com a sua mãe”, declara. A garota citada por Maninho era Elis, que começava a se apresentar no Clube do Guri, programa apresentado por Ary Rego.

Uma das primeiras histórias que o músico lembra da cantora é deste período. “Na rádio não se ganhava dinheiro nem para o bonde. Aí chegou um cara do Rio de Janeiro, ou de São Paulo, um cara cabeludo. Ele disse: quem é Elis Regina? Ela respondeu: sou eu”, conta. Maninho continua: “O homem perguntou quanto ela ganhava e disse que não importava quanto fosse pagaria o dobro. Daí a mãe de Elis respondeu: então minha filha vai ganhar duas vezes nada”.

Depois do ocorrido o homem fez o pagamento para que Elis fosse para o eixo Rio-São Paulo se apresentar. Maninho salienta: “Então tirou um cheque lá, não sei quanto era, mas devia ser um valor fantástico”. Ele acrescenta: “Quando viram que ela ia sair ofereceram uma televisão, que a recém tava chegando, e um toca discos, porém não adiantou”.

Depois que Elis deixou o Rio Grande do Sul Maninho voltou a tocar com ela, a pedido da cantora. Eles foram parceiros na música por cerca de seis anos. Entre as lembranças que o venâncio-airense tem da artista estão traços da personalidade forte: “Uma guria muito nova, tímida, dócil, que tinha muita saudade dos amigos que conheceu na Vila IAPI, em Porto Alegre. Porém também tinha o outro lado, o exigente, explosivo. Ela era muito exigente na música, dava trabalho, mas um trabalho no bom sentido”. Ele se emociona: “Conversar isto dá uma emoção tremenda”. Maninho também recorda da mãe de Elis, que estava sempre presente. “A mãe dela a acompanhou até o fim, até no banheiro ia junto e ficava na porta. Que mãe fantástica”, comenta.

No caminho da música Maninho também compartilhou o mesmo palco que Roberto Carlos. “A gente ia esperá-lo no aeroporto e não tinha ninguém ao redor. Nem ele sabia que ia ser o Roberto”. Eles tocaram juntos três vezes e o artista de Venâncio confidencia uma das manias de Roberto. “Ele tinha o costume de comer só o miolo do pão”, relata.

Atualmente, Maninho mora em Porto Alegre, no entanto, mantém os laços com a terra natal. Ele possui um sítio na Capital Nacional do Chimarrão e frequentemente se apresenta na cidade, em shows para os amigos ou instituições. Neto de Jacob Becker, que dá nome a rua do município, é casado com Ida e pai de dois filhos, Marisa e Maurício.

Foto: Alvaro Pegoraro

Anúncios
Brazilian News

Barbican Hall recebe a MPB de Caetano Veloso

Um dos grandes nomes da música popular brasileira faz parte da lista de atrações do verão londrino. Caetano Veloso apresenta-se no Blaze Festival, no dia 3 de julho. O show acontece no Barbican Hall, às sete e meia da noite.

Caetano é natural da Bahia e começou a carreira musical interpretando canções de bossa nova, sob influência de João Gilberto. Seu nome está relacionado ao movimento cultural da Tropicália. Canções da sua autoria como “Alegria alegria” e “É proibido Proibir” marcaram o período.

Em Londres, Caetano segue a divulgação do álbum Zii e Zie. O título é italiano e em português significa “Tios e Tias”. O trabalho é voltado ao samba e composto por 13 canções.

O show vai ser seguido de uma edição especial do Lates Barbican, com participação da Asphalt Orchestra. O grupo é formado por 12 músicos que misturam rock e jazz de uma forma inovadora. Além da orquestra, participam do Lates também Tokyo-chutei-ik e o artista audiovisual Mike Chavez-Dawson.

Sobre o festival

Blaze é um festival anual de verão promovido pelo Barbican. A edição de 2010 acontece entre os dias 19 de junho e 30 de julho em espaços ao ar livre no leste de Londres.

Grandes artistas internacionais e eventos em lugares como o histórico Hackney Empire marcam esta segunda edição do festival. Uma característica central do Blaze é a diversidade musical. Os shows vão desde jazz até rock e reggae.

Além de Caetano Veloso, o evento apresenta também a artista brasileira Céu. Ela sobe ao palco no dia 15 de julho, no Hackney Empire, com a banda colombiana Bomba Estéreo.

Céu é cantora e compositora. Começou sua carreira artística em 2002. Atualmente, divulga o trabalho “Vagarosa”, seu segundo disco. Já o grupo de Bogotá, Bomba Estéreo, é uma mistura de ritmos dançantes.

No dia 24 de julho é a vez do Brasil novamente estar em foco no Blaze. Mayra Andrade faz show no Barbican Hall com Gurrumul, cantor, compositor e instrumentista australiano. Mayra divulga pela Europa o trabalho “Stória, Stória…”. Além da apresentação em Londres, participa de eventos em julho na França e na Alemanha.

Quando
3 de julho, às 19:30pm

Onde
Barbican Hall
Silk Street
London, EC2Y 8DS

Quanto
A partir de £10
Para comprar o ingresso: AQUI

Brazilian News, Jornalismo

Música brasileira e portuguesa para encantar Londres

* Matéria publicada no jornal londrino Brazilian News. Feita por mim =)

Vinicius Cantuária apresenta-se na próxima semana no Barbican Hall, em Londres. O artista brasileiro sobre ao palco com o português Rodrigo Leão e Cinema Ensamble, na terça-feira, dia 25 de maio.

Vinicius é cantor, compositor, guitarrista e percussionista. Seu trabalho conecta diversas áreas da música, através do jazz e da Música Popular Brasileira – MPB. O repertório vai desde Jobim até Gilberto Gil.

Grande parte da sua carreira foi como integrante da banda de rock O Terço. O grupo surgiu em 1968 e tinha na formação original Jorge Amiden na guitarra, Sérgio Hinds no baixo e Cantuária na bateria.

As músicas de Cantuária reproduzem-se em vozes importantes. Um dos destaques é “Lua e Estrela”, escrita para Caetano Veloso, em 1981. Outra gravação de sucesso foi da música “Só Você”, reproduzida por Fábio Júnior, que vendeu mais de dois milhões de cópias no Brasil.

O músico é natural de Manaus, mas morou praticamente durante toda vida no Rio de Janeiro. Na capital carioca Cantuária viveu sua juventude e importantes momentos profissionais. Em 1995, mudou-se para Nova York, onde montou um estúdio para desenvolver a sua prática musical.

Seu último trabalho é “Cymbals”. O álbum foi gravado nos Estados Unidos e agora está sendo sendo divulgado na Europa.

Rodrigo Leão, parceiro de Cantuária na turnê por países europeus, possui uma carreira tão singular quanto a do artista brasileiro. Leão é português e figura importante no cenário musical do seu país.

Ele foi integrante do grupo Sétima Legião, que surgiu em 1982. A banda foi fundamental na revitalização da música portuguesa da década de 1980. O trabalho com Pedro Oliveira e Nuno Cruz proporcionou ainda desenvolvimento individual para o artista.

Seu trabalho seguinte foi com a banda Madredeus, com quem gravou 5 álbuns e fez sucesso internacional. Mesmo assim, Leão optou pela carreira solo, que começou a ser projetada em 1993.

Seu trabalho atual chama-se “A Mãe” e tem a parceria do Cinema Ensemble, que conta com Celina da Piedade, Vieira Ana, Viviena Tupikova, Marco Pereira, Bruno Silva, Luís Aires e Luís Payo.

Para o show em Londres o público pode esperar misturas sonoras inusitadas, que evoluem de acordes clássicos para combinações mais ousadas. Enfim, um espetáculo musical para quem já sente saudade da língua portuguesa – ou não quer nem chegar a sentir.

Quando
25 de maio, às 19:30pm

Onde

Barbican Hall
Silk Street
London, EC2Y 8DS

Quanto
A partir de £15
Para comprar o ingresso: aqui!