Eu por eu mesma

Explicações

“Você é intensa, mas sua intensidade não costura para fora. Eu sou intenso, mas minha intensidade costura para fora antes mesmo de comprar os tecidos. Sei que não entendo nem metade do que já sentiu por mim. Por absoluta ausência de comunicação. Sei que não entende nem metade do que sinto por você. Por absoluta ausência de paciência. Eu preciso ouvir, você não precisa falar, nos amamos desinformados.

Maldita chuva que começou. Os relâmpagos são gravatas azuis em terno escuro. A sobriedade das sobras. A chuva sempre está vestida para velório. A chuva lava bagunçando. Deixa tudo mais sujo. Muito mais verdadeiro.”

Carpinejar

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Eu por eu mesma, Família, Just me, Lições, Observações, Saudades de Venâncio

Previsão do tempo

Hoje acordei com todas as saudades latentes. Uma dor apertada, sofrida de sentir. Quis chorar, mas as lágrimas estavam presas. Não fizeram a gentileza de sair e me aliviar. Não sei o que me faria sentir melhor. Na verdade eu sei. Mas não quero aceitar que estou fracassando no meu plano perfeito. Queria a Carol aqui para me xingar um pouco. Praga que se mandou para o Canadá. E me deixou aqui… Cheia de perguntas. A Carol sempre tinha respostas para esses dias assim, de sol e vento. Não gosto de dias assim. O sol tenta aquecer, porém o vento insiste em atrapalhar o calor que quer penetrar na pele. O vento que bagunça tudo. Tá aí, é culpa do vento. Ele que misturou os meus sentimentos e trouxe de volta o que tinha guardado no fundo do meu coração. Quero a sobriedade do sol sem vento de novo. E não ter mais essas variações climáticas na alma. Porque ainda dói.

Eu por eu mesma

Tarde

Ela bateu a porta do carro e não quis olhar para trás. Abraçou a bolsa com toda força que restava. Queria esmagar os sonhos guardados ali dentro. Queria que eles se dissolvessem com seu amor e seu ódio.
Ele ficou parado por alguns segundos com os olhos úmidos de culpa. Olhou para ela pelo espelho. Percebeu seus passos apressados e imaginou que ela finalmente iria chorar, pois havia se segurado durante toda conversa dos dois. Estava enganado.
Ela não deixou nenhuma lágrima insistente cair. Atravessou a rua se equilibrando entre o movimento. Trabalhou como se nada tivesse acontecido.
Ele foi para o seu trabalho perdido no tempo. Levou o papel que ela pediu e entregou como solicitado. Carregou a folha como se segurasse o que restou dela por entre os dedos de unhas roídas.
Ela deixou o trabalho de cabeça baixa. Teve que abrir a bolsa para pegar a carteira. Ficou nervosa. Os sonhos estavam livres, escaparam. Não tinham sido esmagados e flutuaram. O choro chegou. E ela teve que partir. Mas desta vez, foi embora sem limpar as lágrimas. Não tinha mais vergonha de sofrer, pois agora seria pela última vez. Era o que esperava, de coração.

Eu por eu mesma, Just me, Observações, Record

Deu. E doeu.

Entrei na redação assustada. Olhei para os lados e no fundo, próximo da porta de vidro do estúdio, encontrei um rostinho conhecido. Era a dona Sheron. Fiquei aliviada, segura. Conversamos um pouco e segui para a entrevista.
Algumas palavras. Tudo rápido e direto. E a vaga era minha.
Pulava de alegria pelo estacionamento do Centro Clínico da PUCRS quando recebi a notícia. Liguei para o meu pai. Foi o primeiro a saber. Ele que sempre me incentivou. Tão preocupado com a sua filhota… Feliz com a conquista.
Depois disquei para o Alessandro. Apesar da gente ter acabado, ele merecia saber da novidade. Sempre acreditou no meu trabalho. Meus olhos encheram de lágrimas quando nos falamos…
Documentos encaminhados e já comecei a correria.
Os primeiros dias foram assustadores. O que era aquele ENPS? Fora de sério… E o TP então? Totalmente estranho para mim. E eu só pensava… se errar eu vou derrubar os apresentadores ao vivo. Ficava em pânico.
O tempo passou e comecei a entrar no ritmo. Tanto que hoje é difícil de desacelerar. Factuais? Rondas? Giroflex? Denúncia? Elemento? Tráfico? ÓH CÉUS! Vou sentir falta… Por incrível que pareça…
Porém, o que vai deixar mais saudade são as pessoas maravilhosas que conheci. Aprendi muito com meus colegas… André, Simone, Kellen, Aline R., Aline D., Verinha (!), Farid, Mota, Sheron (já citada), Macedo, Giva, Virgílio, Leandro, Maiko, Émerson, Roger, Papa, Sandra, Vânia, Matheus, Tici, Jairo, Marquinhos, Dudu, Will, Paulo, Derli, Casagrande, Doroche, Marlon, Espicho, Ricardinho, Aline G., Nei, Marcelo Costa, Adri, Zé, meninos do switcher, nossa… tanta gente que devo estar esquecendo de alguém!
Tenho que citar também a Cínthia e o Wagner, sempre colegas… Sempre comigo…

E ele… o que me levou para a pauta mais punk, que passou no meu aniversário sem nem me conhecer ainda, que começou como meu conselheiro amoroso, que sentou perto do telefone no Santíssimo, que ficou me devendo uma avenca, uma patinação no gelo e um passeio no MARGS (mesmo que a exposição já tenho acabado). Ele que deixava meu rosto rosado, minhas mãos suadas, meu estômago embrulhado de nervosismo. Ele…

Bom… Era isso, pessoal. Obrigada por tudo. Pelo carinho, pelos ensinamentos. Vou levar todos do canal 2 sempre comigo!

“Para que explicações? Esqueçamos as coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus”. (Rubem Braga, 1957)

Eu por eu mesma, Monografia

O inevitável

Tentei fugir dela. Disfarçar. Contei até com ajuda da gripe A (quem diria…). Mas não teve jeito, ela chegou.
Não dá para dizer que foi sem avisar. Eu fui comunicada há 3 anos e meio. Porém, a informação foi subitamente ignorada durante tal período. Agora não dá mais para fazer de conta que ela não está aqui.
Pois bem, a monografia chegou. E para passar um tempo. Quatro meses, para ser exata. Vai embora antes do Natal. Uma pena, queria que ficasse para as festividades.
Terça-feira começa meu último semestre de graduação na Famecos (pretendo voltar em breve para uma pós, enfim, planos…). Estou um tantinho nervosa. Vai ser corrido, conciliar trabalho-monografia-disciplinas-francês-esef. But… Vamos lá.
Boa sorte para mim. Quem der apoio moral tem grandes chances de ser convidado para a formatura dia 29 de janeiro!

OBS.: Entende-se por apoio moral qualquer manifestação de carinho em momentos de crise-pânico-choro-desespero. Digitar citações de livros também seria interessante. Além disso, visitas repentinas com comidinhas e bebidinhas para aliviar o estresse são bem-vindas.

AMO!, Eu por eu mesma, Just me

Bye, bye

Nunca tinha passado por algo assim. Ver partir uma pessoa tão querida. Dar tchau para alguém que não consigo ficar duas semanas sem, sabendo que vou passar 6 meses longe.
Eu relutei. Tentei negar a partida. Não tocava no assunto e disfarçava. No entanto, estava de luto por dentro. E sem dar um piu sequer.
Mas a hora chegou. No aeroporto não deu mais para segurar as lágrimas teimosas. Chorei com uma saudade antecipada. Uma vontade imensa de dizer: fica aqui.
Bom Carol, vou sentir a tua falta toda vez que eu for na Encol ficar jogada na grama comendo milhões de calorias e sempre que passar pelo Menino Deus (isso acontece quase todo dia). Além disso, a Famecos não vai ser mais um lugar tão bom assim. Não vai estar lá a criatura mais mau-humorada e reclamona do universo.
Fica aqui o vídeo que a gente fez pra ti. Uma pequena, tosca e sincera homenagem dos teus amigos que te amam e vão morrer de saudades!
E tem mais, a foto do nosso último abraço (drama!).


Love you, girl.



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