Cidade em tópicos, Just me, Londres

A cidade em tópicos – Parte VI

* A VIDA EM CASA DE ESTUDANTE/ DIVIDINDO CASA OU FLAT

A vida de estudante em Londres não deixa muitas alternativas em relação à moradia. Geralmente as agências oferecem duas opções: acomodação em casa de família ou em casa de estudante. A primeira, de modo geral, é mais cara. No entanto, o benefício é a convivência com pessoas que falam inglês o tempo todo. Assim, maiores as chances do intercambista desenvolver a fluência no idioma. Já a escolha por morar em uma “república” é mais em conta financeiramente. O risco é cair em um lugar só com brasileiros e falar português o dia inteiro.

Quando eu cheguei em Londres optei por um flat onde na época moravam 9 pessoas no total, inclusive comigo. Vou contar um pouquinho da acomodação lá (eu me mudei há uma semana para uma outra casa).

Com o pessoal do meu primeiro endereço em Londres

O “apartamento” possui 4 quartos (2 triplos, 1 duplo e 1 single), 1 banheiro grande, cozinha, quartinho do Harry Potter (espaço embaixo da escada usado como dispensa) e laje (isso mesmo, tipo uma sacada arcaica, o acesso era pela janela da escada dos quartos). A localização é regular (zona 3, perto da estação de Seven Sisters). A vantagem é que o flat fica numa rua principal onde passam ônibus para quase todas as regiões de Londres. No entanto, o fato de ser numa rua movimentada não é bom no que se refere ao barulho (de carros e nos fins de semana de gurizada pra lá e pra cá).

Minha casa atual

Acontece que agora troquei de endereço. Optei por uma casa, um lugar maior. São 5 quartos (4 duplos e 1 single) e 9 pessoas morando juntas no total. O local possui uma cozinha grande, 2 banheiros e um pátio nos fundos. Fica perto de Green Lane, da estação de Manor House (zona 2).

Mesmo tendo mudado há pouco tempo percebi que os problemas nas duas casas são os mesmos. Os principais são limpeza e noção de individual/coletivo. Regras simples como: usar – guardar, sujar – limpar são esquecidas e foco das principais discussões.

Cozinha da casa nova

Morar com outras pessoas implica aceitar diferenças, ter paciência e respeitar os outros. No entanto, no dia-a-dia essas coisas parecem se perder em diversas situações.

Desde que cheguei posso afirmar que já aprendi muito nesse sentido. Eu morava com duas amigas em Porto Alegre, mas a gente nunca teve nenhum tipo de problema, era a convivência perfeita. É claro, a gente escolheu dividir o mesmo espaço umas com as outras. Além disso, nos conhecemos desde pequenas e temos muitas coisas em comum.

Em Londres a gente mora com pessoas que nunca viu na vida antes. É muito complicado, principalmente se você tem que dividir quarto com alguém estranho. Logo que cheguei fiquei num dormitório triplo com a Paula, que viajou comigo, e uma outra mulher, totalmente diferente da gente e muito estranha. Tivemos problemas e a tal mulher foi embora do flat depois de mais ou menos um mês que a gente tinha chegado.

Mas resumindo a história: esses dias me dei conta de que a minha mala grande estava sem rodinhas. Eu só tinha usado a mala na viagem do Brasil para a Inglaterra, desde então ela estava em cima do meu armário. Ou seja, a mulher arrancou as rodinhas da minha mala antes de se mudar (o quarto ficava trancado, só nós 3 com a chave). Acredito que tenha sido por sacanagem mesmo. Um belo exemplo do tipo de coisa que pode acontecer quando se mora com pessoas diferentes.

A minha história não é nada perto do que já ouvi em Londres. Gente que até roubado foi dentro de casa. São situações complexas, porém, também não posso negar que dividir moradia em território estrangeiro têm as suas vantagens. Quando se está longe da família, os flatmates são a maior referência de segurança. Fiz amigos que quero levar comigo a vida toda…

Mas enfim… com tudo a gente aprende e cresce. Para finalizar deixo algumas dicas na hora de procurar um flat ou uma casa para dividir em Londres.

– Pesquise. Tenha calma e paciência. Procurar lugar para morar é um saco, mas é muito importante e vai fazer diferença depois.
– Preste atenção na localização e veja os meios de transporte disponíveis na região (ônibus, metrô, trem).
– Verifique os mercados próximos.
– Aluguel barato nem sempre significa economia. Verifique os gastos com transporte (o valor dos passes aumenta conforme a zona) e veja também se as contas estão incluídas no aluguel.

Veja também a parte I – Transporte.

Veja também a parte II – Alimentação.

Veja também a parte III – Clima.

Veja também a parte IV – Jornais e Revistas.

Veja também a parte V – As mídias brasileiras.

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Londres

Mind the gap

Londres é a cidade do casaquinho. Pode chover a quaquer minuto. Dois segundos depois vem o sol. Daí chove de novo. Nuvens. Cinza. Pega sombrinha. Guarda a sombrinha molhada na bolsa. Oyster na mão. Fone no ouvido. Entra na estação. Derrete no metrô. Troca de estação. Mind the gap. Fecha o nariz para aguentar os fedidos. Olha uma revista. Espia o jornal. Metro. Evening Standard. Escada rolante. Lado direito para ficar parado. Lado esquerdo para subir rápido. Jamais tranque o lado esquerdo. Please. Excuse me. Sorry. Thanks.

Nice to meet you, London.

* Welcome, Bruka!

Eu por eu mesma, Just me, Londres, Observações, Saudades de Venâncio

Balanço de 3 meses

Nossa! Já se passaram 3 meses desde que eu cheguei em Londres. Muita coisa aconteceu neste período e minha vida deu mil e uma voltas em torno do céu e do inferno.

O primeiro dia foi meio chocante. Lembro que eu e a Paula passamos o maior sufoco para carregar as malas por meia quadra. Chegamos na porta preta do número 477 da High Road um tanto desconfiadas e nervosas. Logo o Danilo e o Fernando desceram para nos ajudar com as coisas. Quem diria que 3 meses depois eles seriam praticamente parte de uma nova família que criamos, a nossa querida família do “gueto”.

Mas foi justo o gueto que nos decepcionou no primeiro momento. Moramos em Tottenham, bairro da zona 3 de Londres (a cidade é dividida em anéis ao redor do centro e cada anel corresponde a uma zona; a região central é a zona 1 e os números aumentam conforme os bairros se afastam do miolo). O local é repleto de indianos. Tanto o jeito de falar inglês (com um sotaque pesado) quanto o modo grosseiro e desconfiado nos deixou assustadas no início. O primeiro pensamento que nos ocorreu: temos que fugir daqui.

No entanto, uma semana foi o suficiente para tudo mudar. Começamos a nos aproximar dos meninos da casa e eles passaram a ser o principal motivo para não deixarmos o gueto. Hoje estamos bem acomodadas e chamamos o flat de “nossa casa”.

Por falar em meninos, bem… eu conheci o Fábio. Nossa história começou entre conversas descomprometidas na cozinha. Um capítulo especial na minha história em Londres. Provavelmente um capítulo que vai se extender até o Brasil e que deve render um livro a parte.

Pensando no Brasil eu lembro de saudade… A saudade que começou forte, já foi diminuindo e agora toma conta de mim a cada lembrança. Tenho que controlar o playlist para evitar provocar a memória.

Atualmente tenho 3 empregos (sim!) e já consigo me manter com o que ganho. No entanto, o custo de vida em Londres é alto e até alcançar a estabilidade foi complicado.

É frustrante ter o mundo ao seus pés e não poder aproveitar plenamente todas as oportunidades que aparecem. Todo fim de semana têm shows fantásticos, espetáculos, estreias no cinema. Isso sem falar na quantidade de cidades maravilhosas que gostaria de conhecer na Inglaterra e os outros países que quero visitar na Europa. Entretanto… tudo se resume ao dinheiro. Então… é preciso planejar e ter paciência.

Sobre minha habilidade com o inglês, ponto principal desta viagem, já apresento evoluções importantes. Na escola estou no nível upper-intermediate e devo trocar de turma no início de agosto para a preparação para o IELTS, prova de proficiência.

Percebo que no dia-a-dia consigo me expressar com uma certa facilidade. Melhorei bastante a minha capacidade de ouvir e ler em inglês. Minha maior dificuldade ainda é falar ao telefone, pois dependendo do sotaque da pessoa fica bem complicado.

Em linhas gerais é isso… Estou vivendo um dia por vez e tentando aproveitar o melhor que Londres oferece. A saudade do Brasil e da minha vida em Porto Alegre (com todas as pessoas que fazem parte dela) é muita, porém tento pensar em tudo que estou aprendendo. No momento não tenho muitas certezas sobre esta experiência. Mas por enquanto posso afirmar: so far, so good.

Londres, Observações

Trooping the Colour

Escrevo com notícias de um fim de semana super britânico! Fui no evento Trooping the Colour, o desfile de comemoração do aniversário da Rainha Elizabeth II.

O nascimento da Sua Majestade foi no dia 21 abril, porém as celebrações acontecem em junho. Tudo começa com o desfile dos famosos “guardinhas londrinos”. Depois, a família real deixa o Palácio de Buckingham de carruagem e segue pela avenida The Mall até a casa da guarda para a inspeção dos militares.

Em seguida todos retornam para o Palácio para o encerramento com o show de uma espécie de “esquadrilha da fumaça”. Muitos turistas acompanham o evento que é extremamente organizado e pontual. Confiram algumas fotos =)


Brazilian News, Cidade em tópicos, Jornalismo, Londres

A cidade em tópicos – Parte V

* AS MÍDIAS BRASILEIRAS

Nunca imaginei que iria encontrar tantos veículos de comunicação brasileiros em Londres. São revistas e jornais para todos os gostos (e todos de graça!). Abaixo algumas observações dos que já tive contato (existe também a revista Verbo, mas ainda não li nenhuma edição para analisar).

Brazilian News: Jornal semanal com uma média de 36 páginas por edição. Páginas coloridas e preto e branco. Diagramação discreta com bastante fotos, a maioria de divulgação.
É o jornal no qual eu trabalho. Sou a responsável pela editoria de cultura. A publicação abrange todos os assuntos, desde política até esportes.
O Brazilian News é feito por colaboradores e distribuído em pontos “brasileiros” de Londres, como cafés, money tranfers e agências de intercâmbio como a LondonHelp4U.


Leros: Revista mensal totalmente colorida com aproximadamente 140 páginas. É mais uma publicação de classificados (catálogo de anúncios) do que de notícias. As notas e matérias abordam assuntos diversos, mas são basicamente releases e tópicos tirados da internet. A diagramação não é muito clean e abusa do negrito (parágrafos inteiros, o que não favorece a leitura).

Revista da Record: Publicação bimestral com uma média de 50 páginas, todas coloridas. É uma extensão da TV Record em forma de revista. Aborda os atores, apresentadores e os programas da emissora. Diagramação bonita, limpa. Conteúdo não muito interessante.

Jungle Drums: Revista mensal especializada em cultura. Aborda tópicos relacionados ao contexto brasileiro e da América Latina. Possui textos em português e em inglês (estilo revista de avião). Diagramação e recursos visuais bem utilizados, projeto gráfico excelente. O conteúdo também não deixa a desejar. Na minha opinião é a melhor opção entre as revistas.

Veja também a parte I – Transporte.

Veja também a parte II – Alimentação.

Veja também a parte III – Clima.

Veja também a parte IV – Jornais e Revistas.

Veja também a parte VI – A vida em casa de estudante/ dividindo casa ou flat.

Brazilian News

Barbican Hall recebe a MPB de Caetano Veloso

Um dos grandes nomes da música popular brasileira faz parte da lista de atrações do verão londrino. Caetano Veloso apresenta-se no Blaze Festival, no dia 3 de julho. O show acontece no Barbican Hall, às sete e meia da noite.

Caetano é natural da Bahia e começou a carreira musical interpretando canções de bossa nova, sob influência de João Gilberto. Seu nome está relacionado ao movimento cultural da Tropicália. Canções da sua autoria como “Alegria alegria” e “É proibido Proibir” marcaram o período.

Em Londres, Caetano segue a divulgação do álbum Zii e Zie. O título é italiano e em português significa “Tios e Tias”. O trabalho é voltado ao samba e composto por 13 canções.

O show vai ser seguido de uma edição especial do Lates Barbican, com participação da Asphalt Orchestra. O grupo é formado por 12 músicos que misturam rock e jazz de uma forma inovadora. Além da orquestra, participam do Lates também Tokyo-chutei-ik e o artista audiovisual Mike Chavez-Dawson.

Sobre o festival

Blaze é um festival anual de verão promovido pelo Barbican. A edição de 2010 acontece entre os dias 19 de junho e 30 de julho em espaços ao ar livre no leste de Londres.

Grandes artistas internacionais e eventos em lugares como o histórico Hackney Empire marcam esta segunda edição do festival. Uma característica central do Blaze é a diversidade musical. Os shows vão desde jazz até rock e reggae.

Além de Caetano Veloso, o evento apresenta também a artista brasileira Céu. Ela sobe ao palco no dia 15 de julho, no Hackney Empire, com a banda colombiana Bomba Estéreo.

Céu é cantora e compositora. Começou sua carreira artística em 2002. Atualmente, divulga o trabalho “Vagarosa”, seu segundo disco. Já o grupo de Bogotá, Bomba Estéreo, é uma mistura de ritmos dançantes.

No dia 24 de julho é a vez do Brasil novamente estar em foco no Blaze. Mayra Andrade faz show no Barbican Hall com Gurrumul, cantor, compositor e instrumentista australiano. Mayra divulga pela Europa o trabalho “Stória, Stória…”. Além da apresentação em Londres, participa de eventos em julho na França e na Alemanha.

Quando
3 de julho, às 19:30pm

Onde
Barbican Hall
Silk Street
London, EC2Y 8DS

Quanto
A partir de £10
Para comprar o ingresso: AQUI

Brazilian News

A crueldade vista pela dança de Deborah Colker


Amor, luxúria, obsessão e rejeição. Aspectos obscuros das relações humanas retratados através da dança. Esta é a proposta do espetáculo Cruel, da Companhia de Dança Deborah Colker. A apresentação acontece em Londres entre os dias 29 de junho e 03 de julho, no Barbican Theatre.

Cruel é uma série aberta de elementos narrativos que só se completa com o olhar do espectador. São histórias repetidas, que se atam e desatam. Um show completo de dança, expressão e arte.

A montagem teve início em 2008. Foi uma construção coletiva, onde novos elementos acabaram acrescentados ao trabalho, como um texto de Fausto Fawcett e uma história escrita por Fernando Muniz.

A trilha sonora é marcada por peças clássicas de Vivaldi, Dvorak e Chopin. A música evocativa encontra seu lugar no espetáculo que mostra um mundo de sonho. A dança contemporânea é combinada com trajes luxuosos e iluminação atmosférica. Uma ótima opção de evento para os amantes da dança, mas também promessa de sucesso perante apreciadores da arte e da expressão humana.

Quando
29 de junho – 03 de julho, 19:45 pm

Onde
Barbican Theatre
Silk Street
London, EC2Y 8DS

Quanto
A partir de £10
Para comprar o ingresso: AQUI