Eu por eu mesma, Monografia

O inevitável

Tentei fugir dela. Disfarçar. Contei até com ajuda da gripe A (quem diria…). Mas não teve jeito, ela chegou.
Não dá para dizer que foi sem avisar. Eu fui comunicada há 3 anos e meio. Porém, a informação foi subitamente ignorada durante tal período. Agora não dá mais para fazer de conta que ela não está aqui.
Pois bem, a monografia chegou. E para passar um tempo. Quatro meses, para ser exata. Vai embora antes do Natal. Uma pena, queria que ficasse para as festividades.
Terça-feira começa meu último semestre de graduação na Famecos (pretendo voltar em breve para uma pós, enfim, planos…). Estou um tantinho nervosa. Vai ser corrido, conciliar trabalho-monografia-disciplinas-francês-esef. But… Vamos lá.
Boa sorte para mim. Quem der apoio moral tem grandes chances de ser convidado para a formatura dia 29 de janeiro!

OBS.: Entende-se por apoio moral qualquer manifestação de carinho em momentos de crise-pânico-choro-desespero. Digitar citações de livros também seria interessante. Além disso, visitas repentinas com comidinhas e bebidinhas para aliviar o estresse são bem-vindas.

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Jornalismo

ESSA É A MINHA DIRETORA

Jornalista diplomado aprende o quê?

Por Mágda Rodrigues da Cunha* (artigo publicado em Zero Hora desta terça-feira, dia 23)

Muitos são os debates desde o dia 17 de junho, quando o STF decidiu pela extinção da obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de jornalista. Fala-se em retrocesso histórico, manutenção de qualidade de parte das empresas, garantia da liberdade de expressão prevista na Constituição, comparação com outras categorias profissionais e até com arte e literatura.

Mas quem estuda para ser jornalista aprende o quê? E este é um foco pouco iluminado até agora e que é papel das instituições de Ensino Superior esclarecer. Neste texto, falamos do lugar do ensino de Jornalismo, que existe há aproximadamente 60 anos no Brasil, quando o diploma sequer era obrigatório.E o que o jornalista aprende desde então? Arte, produção de informação desqualificada, repressão à liberdade de expressão? Certamente não, mesmo que muitas declarações levem a esse entendimento.

O jornalismo é, talvez, a mais multidisciplinar das carreiras, pois, para transformar os fatos em narrativas jornalísticas, é preciso conhecer a realidade, sua construção, contexto e as formas de melhor apurar o fato, investigá-lo e difundi-lo. O jornalista aprende a ser o guardião da narração eticamente correta. O principal produto do jornalismo contemporâneo, a notícia, não é ficção. Os acontecimentos ou personagens das notícias não são invenção dos jornalistas. Como aponta a própria campanha de “45 anos de Zero Hora”, o jornal não publica nenhuma notícia, a menos que ela aconteça.

Um jornalista aprende português, filosofia, história, legislação, sociologia, entre outras disciplinas. O que não quer dizer que indivíduos com a formação nessas áreas possam narrar os acontecimentos. Um jornalista aprende técnicas específicas de sua profissão, como reportagem, edição, linguagens para as diferentes mídias, estudos de recepção, formas adequadas de tratar um acontecimento, considerando princípios éticos. Jornalismo não oferece risco de vida?

Imagine-se as consequências para qualquer indivíduo que tenha acontecimentos mal apurados e amplamente divulgados na mídia a respeito de sua vida. E que condições emocionais tem um soldado de narrar os fatos por seu blog, diretamente de uma guerra? Pode um torcedor narrar o jogo de seu próprio time e garantir alguma imparcialidade?

Em plena sociedade da informação, é impossível falar em restrição à liberdade de expressão. A telefonia celular e a internet já estabelecem novas relações entre os cidadãos e o poder. Cada um é capaz de contar a sua história, mas não o fato sob suas muitas dimensões. Isto é função do jornalista. Nessa mesma sociedade, precisamos de garantias legais e regulação para que estejam bem formados aqueles que vão fazer a mediação em meio a tanto conteúdo.

Aqueles que vão garantir credibilidade aos fatos que nos chegam das mais diversas frentes. Os soldados e torcedores não desejam narrar os fatos jornalisticamente. Desejam apenas, como apontam as pesquisas, usufruir da liberdade de expressão que as modernas tecnologias oferecem. O jornalista aprende na universidade exatamente sobre qual é o seu lugar dentro da narração de um fato.

* Jornalista, diretora da Faculdade de Comunicação Social (Famecos), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)