AMO!, Bye Brazil, Londres, Meu Porto Alegre, Saudades de Venâncio, tempo

2 meses

Quando menos se espera tudo acaba.
Quando a noite completa o mundo desaba.

Só mais 2 meses pra sentir o cheiro de Venâncio, abraçar a Rafa até o corpo cansar, correr até a Preta, ouvir a mãe gritar, mostrar para o Caio as fotos da viagem, receber um abraço doído de mágoa do pai, cheirar a nega-maluca da vó Ica, contar sobre os lugares que conheci pro vô Adão, entregar os presentes do Arthurzinho, me encaixar nos braços da vó Tila, jogar conversa fora com a tia Bi, sair com o Muca e a Grê, fazer nada com a Édina, a Laura W. e a Di, beber com a Laura S. e com a Camila, ir pro Beco com o Marcus e Cia., jantar e fofocar com a Aline R. e com a Raquel, visitar a Radioweb, tomar café na Famecos. Só mais 2 meses…

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Cidade em tópicos, Just me, Londres

A cidade em tópicos – Parte VI

* A VIDA EM CASA DE ESTUDANTE/ DIVIDINDO CASA OU FLAT

A vida de estudante em Londres não deixa muitas alternativas em relação à moradia. Geralmente as agências oferecem duas opções: acomodação em casa de família ou em casa de estudante. A primeira, de modo geral, é mais cara. No entanto, o benefício é a convivência com pessoas que falam inglês o tempo todo. Assim, maiores as chances do intercambista desenvolver a fluência no idioma. Já a escolha por morar em uma “república” é mais em conta financeiramente. O risco é cair em um lugar só com brasileiros e falar português o dia inteiro.

Quando eu cheguei em Londres optei por um flat onde na época moravam 9 pessoas no total, inclusive comigo. Vou contar um pouquinho da acomodação lá (eu me mudei há uma semana para uma outra casa).

Com o pessoal do meu primeiro endereço em Londres

O “apartamento” possui 4 quartos (2 triplos, 1 duplo e 1 single), 1 banheiro grande, cozinha, quartinho do Harry Potter (espaço embaixo da escada usado como dispensa) e laje (isso mesmo, tipo uma sacada arcaica, o acesso era pela janela da escada dos quartos). A localização é regular (zona 3, perto da estação de Seven Sisters). A vantagem é que o flat fica numa rua principal onde passam ônibus para quase todas as regiões de Londres. No entanto, o fato de ser numa rua movimentada não é bom no que se refere ao barulho (de carros e nos fins de semana de gurizada pra lá e pra cá).

Minha casa atual

Acontece que agora troquei de endereço. Optei por uma casa, um lugar maior. São 5 quartos (4 duplos e 1 single) e 9 pessoas morando juntas no total. O local possui uma cozinha grande, 2 banheiros e um pátio nos fundos. Fica perto de Green Lane, da estação de Manor House (zona 2).

Mesmo tendo mudado há pouco tempo percebi que os problemas nas duas casas são os mesmos. Os principais são limpeza e noção de individual/coletivo. Regras simples como: usar – guardar, sujar – limpar são esquecidas e foco das principais discussões.

Cozinha da casa nova

Morar com outras pessoas implica aceitar diferenças, ter paciência e respeitar os outros. No entanto, no dia-a-dia essas coisas parecem se perder em diversas situações.

Desde que cheguei posso afirmar que já aprendi muito nesse sentido. Eu morava com duas amigas em Porto Alegre, mas a gente nunca teve nenhum tipo de problema, era a convivência perfeita. É claro, a gente escolheu dividir o mesmo espaço umas com as outras. Além disso, nos conhecemos desde pequenas e temos muitas coisas em comum.

Em Londres a gente mora com pessoas que nunca viu na vida antes. É muito complicado, principalmente se você tem que dividir quarto com alguém estranho. Logo que cheguei fiquei num dormitório triplo com a Paula, que viajou comigo, e uma outra mulher, totalmente diferente da gente e muito estranha. Tivemos problemas e a tal mulher foi embora do flat depois de mais ou menos um mês que a gente tinha chegado.

Mas resumindo a história: esses dias me dei conta de que a minha mala grande estava sem rodinhas. Eu só tinha usado a mala na viagem do Brasil para a Inglaterra, desde então ela estava em cima do meu armário. Ou seja, a mulher arrancou as rodinhas da minha mala antes de se mudar (o quarto ficava trancado, só nós 3 com a chave). Acredito que tenha sido por sacanagem mesmo. Um belo exemplo do tipo de coisa que pode acontecer quando se mora com pessoas diferentes.

A minha história não é nada perto do que já ouvi em Londres. Gente que até roubado foi dentro de casa. São situações complexas, porém, também não posso negar que dividir moradia em território estrangeiro têm as suas vantagens. Quando se está longe da família, os flatmates são a maior referência de segurança. Fiz amigos que quero levar comigo a vida toda…

Mas enfim… com tudo a gente aprende e cresce. Para finalizar deixo algumas dicas na hora de procurar um flat ou uma casa para dividir em Londres.

– Pesquise. Tenha calma e paciência. Procurar lugar para morar é um saco, mas é muito importante e vai fazer diferença depois.
– Preste atenção na localização e veja os meios de transporte disponíveis na região (ônibus, metrô, trem).
– Verifique os mercados próximos.
– Aluguel barato nem sempre significa economia. Verifique os gastos com transporte (o valor dos passes aumenta conforme a zona) e veja também se as contas estão incluídas no aluguel.

Veja também a parte I – Transporte.

Veja também a parte II – Alimentação.

Veja também a parte III – Clima.

Veja também a parte IV – Jornais e Revistas.

Veja também a parte V – As mídias brasileiras.

Eu por eu mesma, Just me, Londres, Observações, Saudades de Venâncio

Balanço de 3 meses

Nossa! Já se passaram 3 meses desde que eu cheguei em Londres. Muita coisa aconteceu neste período e minha vida deu mil e uma voltas em torno do céu e do inferno.

O primeiro dia foi meio chocante. Lembro que eu e a Paula passamos o maior sufoco para carregar as malas por meia quadra. Chegamos na porta preta do número 477 da High Road um tanto desconfiadas e nervosas. Logo o Danilo e o Fernando desceram para nos ajudar com as coisas. Quem diria que 3 meses depois eles seriam praticamente parte de uma nova família que criamos, a nossa querida família do “gueto”.

Mas foi justo o gueto que nos decepcionou no primeiro momento. Moramos em Tottenham, bairro da zona 3 de Londres (a cidade é dividida em anéis ao redor do centro e cada anel corresponde a uma zona; a região central é a zona 1 e os números aumentam conforme os bairros se afastam do miolo). O local é repleto de indianos. Tanto o jeito de falar inglês (com um sotaque pesado) quanto o modo grosseiro e desconfiado nos deixou assustadas no início. O primeiro pensamento que nos ocorreu: temos que fugir daqui.

No entanto, uma semana foi o suficiente para tudo mudar. Começamos a nos aproximar dos meninos da casa e eles passaram a ser o principal motivo para não deixarmos o gueto. Hoje estamos bem acomodadas e chamamos o flat de “nossa casa”.

Por falar em meninos, bem… eu conheci o Fábio. Nossa história começou entre conversas descomprometidas na cozinha. Um capítulo especial na minha história em Londres. Provavelmente um capítulo que vai se extender até o Brasil e que deve render um livro a parte.

Pensando no Brasil eu lembro de saudade… A saudade que começou forte, já foi diminuindo e agora toma conta de mim a cada lembrança. Tenho que controlar o playlist para evitar provocar a memória.

Atualmente tenho 3 empregos (sim!) e já consigo me manter com o que ganho. No entanto, o custo de vida em Londres é alto e até alcançar a estabilidade foi complicado.

É frustrante ter o mundo ao seus pés e não poder aproveitar plenamente todas as oportunidades que aparecem. Todo fim de semana têm shows fantásticos, espetáculos, estreias no cinema. Isso sem falar na quantidade de cidades maravilhosas que gostaria de conhecer na Inglaterra e os outros países que quero visitar na Europa. Entretanto… tudo se resume ao dinheiro. Então… é preciso planejar e ter paciência.

Sobre minha habilidade com o inglês, ponto principal desta viagem, já apresento evoluções importantes. Na escola estou no nível upper-intermediate e devo trocar de turma no início de agosto para a preparação para o IELTS, prova de proficiência.

Percebo que no dia-a-dia consigo me expressar com uma certa facilidade. Melhorei bastante a minha capacidade de ouvir e ler em inglês. Minha maior dificuldade ainda é falar ao telefone, pois dependendo do sotaque da pessoa fica bem complicado.

Em linhas gerais é isso… Estou vivendo um dia por vez e tentando aproveitar o melhor que Londres oferece. A saudade do Brasil e da minha vida em Porto Alegre (com todas as pessoas que fazem parte dela) é muita, porém tento pensar em tudo que estou aprendendo. No momento não tenho muitas certezas sobre esta experiência. Mas por enquanto posso afirmar: so far, so good.

Bye Brazil, Eu por eu mesma, Just me, Londres

Sentidos

Acordei com vontade de tocar hoje. Encostar. Sentir. Estar perto. Encaixar os braços em um abraço.
Vontade de exercitar a visão. Enxergar. Notar cada detalhe do rosto de quem eu amo. Ver as marcas da idade na pele.
Queria também ouvir os ruídos da minha casa. Os latidos no jardim. A TV alta na sala.
Meu corpo clama pelos cheiros conhecidos. O churrasco de domingo do vô. A comida da mãe. A grama molhada. A roupa bem lavada.
Preciso sentir os gostos de sempre. Do chimarrão de sempre. Dos beijos de sempre.

É, definitivamente senti saudade.

Londres

A vida em cinza, preto e branco

Londres não pára. O ritmo frenético está nas ruas, estações de metrô, nas pessoas se esbarrando nas ruas. Acostumada com a agilidade do jornalismo achei que não sentiria. Mas uma semana foi o suficiente para a minha garganta clamar por calma.
E aqui estou, na cama quentinha, enrolada numa manta e com uma xícara de chá (sim, o melhor hábito inglês que eu poderia aderir). No computador toca Chico Buarque na tentativa de provocar as lembranças de casa.

* * *

A cidade é maravilhosa. Cinza, sim. Chuvosa, demais. Porém, encantadora na sua simples complexidade. Perfeita nas suas dualidades.

* * *

Peculiaridades:

– Aqui o papel vai direto para o vaso sanitário. Nada de lixo nos banheiros.
– Não só a direção é ao contrário. As escadas rolantes também. Tudo que no Brasil seria pela direita aqui é pela esquerda. Tudo.
–  Não existe lugar na cidade que se fale apenas um idioma. Francês, português, espanhol e todas as outras línguas possíveis e bizarras estão por todos os lados.
– Nunca se fica mais do que 4 minutos esperando o metrô. Nunca. Na verdade, raramente se fica mais do que 2 minutos na estação.
– É difícil se perder na cidade. Tudo é muito bem sinalizado.
– Os ônibus continuam com linhas regulares e pontuais durante toda madrugada. E acreditem: é seguro!
– Não existe lixo nos transportes coletivos. Não sei o motivo. Mas as pessoas costumam colocar suas coisas em sacolinhas e levar até a lixeira mais próxima.
– Cachorros podem andar de ônibus e metrô. Por incrível que parela isso não gera nenhuma confusão (pelo menos não vi nada nesse sentido ainda).

* * *

No mais é isso. Vou cuidar da minha saúde para continuar batendo perna por aí e colocar tudo no blog 🙂
Beijos!

Eu por eu mesma, Família

Casa

Voltar para casa é um processo inverso. Parece regressão.
Retorna ao lar dos pais quem se separa. Quem vê os planos irem por água abaixo. Quem fica sem grana.
Uma pessoa feliz e bem sucedida não costuma morar com o papai e a mamãe uma vez que deu primeiro passo na construção da sua independência.
Pois eu voltei para casa. É algo temporário, mas aqui estou.
Minha mãe diz que eu me comporto como se estivesse em um hotel. E sabe… é assim que eu me sinto. Hóspede dos meus pais.
Na verdade eles já não entendem que eu tenho o meu tempo de fazer as coisas. Gosto de deixar a louça na pia até não ter mais espaço. Gosto de recolher os copos quando eles somam mais de 5 pela sala. Gosto de andar de pé descalço. Gosto de dormir depois da 1 da madrugada. Gosto de ficar na cama o máximo possível de manhã (quando possível extendo meu soninho até a tarde). Gosto de almoçar de tardezinha. Gosto de deixar a cama desorganizada. Gosto de ficar de pijama.
É meu jeito, são minhas manias. Talvez um dia mude.
Não significa que sou bagunceira. Pelo contrário. Sou extremamente sistemática. Mesmo que de uma forma um tanto contrária.
Embora seja complicado voltar para casa… já estou aqui. Vão ser dois meses de aprendizado. Para mim e para eles.
Já comecei a fazer meu espaço de novo. Limpa uma gaveta aqui. Empurra algumas coisas do armário para lá.
E vamos ver no que isso vai dar. Lulu santos já dizia: “Pode ser que o barco vire, também pode ser que não”.

“Mas sempre tinha
A cama pronta
E rango no fogão…
Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê!
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…”

Casa – Lulu Santos

Eu por eu mesma, Família, Just me, Lições, Observações, Saudades de Venâncio

Previsão do tempo

Hoje acordei com todas as saudades latentes. Uma dor apertada, sofrida de sentir. Quis chorar, mas as lágrimas estavam presas. Não fizeram a gentileza de sair e me aliviar. Não sei o que me faria sentir melhor. Na verdade eu sei. Mas não quero aceitar que estou fracassando no meu plano perfeito. Queria a Carol aqui para me xingar um pouco. Praga que se mandou para o Canadá. E me deixou aqui… Cheia de perguntas. A Carol sempre tinha respostas para esses dias assim, de sol e vento. Não gosto de dias assim. O sol tenta aquecer, porém o vento insiste em atrapalhar o calor que quer penetrar na pele. O vento que bagunça tudo. Tá aí, é culpa do vento. Ele que misturou os meus sentimentos e trouxe de volta o que tinha guardado no fundo do meu coração. Quero a sobriedade do sol sem vento de novo. E não ter mais essas variações climáticas na alma. Porque ainda dói.