Eu por eu mesma

Minha vida nos últimos 120 dias

120 tópicos que falam um pouquinho do que aconteceu. Não necessariamente na ordem abaixo.

1 – Troquei de turma no inglês.
2 – Visitei o Museu Victoria & Albert, em Londres.
3 – Ganhei uma câmera da Nikon (!).
4 – Tomei a última pint de cerveja com a Jú antes dela voltar de Londres.
5 – Conheci Páriiii!
6 – Visitei o Louvre e me decepcionei com a dona Mona.
7 – Quase perdi as pernas subindo até a Sacré Coeur.
8 – Naveguei pelo Sena.
9 – Descobri que estava grávida.
10 – Fiquei desesperada por estar grávida.
11 – Busquei o Marcus no aeroporto.
12 – Levei o Marcus pro gueto.
13 – Levei o Marcus numa centena de lugares.
14 – Alugamos um carro.
15 – Voltamos para Liverpool.
16 – Voltamos no The Cavern.
17 – Conheci o estádio do Liverpool.
18 – Fomos para Manchester.
19 – Comecei a ficar enjoada.
20 – Dei um Bis para um esquilo.
21 – Assisti uma peça no Shakespeare Globe.
22 – Não entendi quase nada da peça do Shakespeare Globe.
23 – Entrei no Palácio de Buckingham.
24 – Fiz pose no jardim da Rainha.
25 – Conheci a Abbey Road.
26 – Tirei foto atravessando a faixa de segurança.
27 – Assinei no muro do estúdio Abbey Road.
28 – Levei o Marcus no aeroporto.
29 – Esperei o Papa chegar no Hyde Park.
30 – Comecei o pré-natal.
31 – Vi meu bebê pela primeira vez no ultrassom.
32 – Participei de um churrasco na laje.
33 – Conheci o famoso bairro de Notting Hill.
34 – Fui na feira de Portobello Road.
35 – Pedi demissão.
36 – Comprei presentes.
37 – Senti o início do frio londrino.
38 – Revelei fotos.
39 – Comi a melhor pizza de palmito de Londres.
40 – Tive desejo.
41 – Comi comida brasileira (over and over again).
42 – Comprei mais presentes.
43 – Continuei enjoando.
44 – Embarquei para Lisboa.
45 – Ri do sotaque português.
46 – Comi bacalhau no bar do seu Antônio.
47 – Andei de bondinho em Portugal.
48 – Conheci o Castelo de Santo Antônio.
49 – Vi peixinhos de todas as cores no Oceanário.
50 – Andei de teleférico no Parque das Nações.
51 – Conheci o lugar da onde partiram as caravelas portuguesas.
52 – Parei de enjoar.
53 – Comecei a ter dor nas costas.
54 – Tirei muitas fotos.
55 – Achei uma churrascaria gaúcha em Lisboa.
56 – Carreguei malas mega pesadas.
57 – Organizei fotos.
58 – Comprei uma filmadora.
59 – Cansei de aeroporto.
60 – Embarquei para Madri depois de muitos atrasos no voo.
61 – Fui furtada em Madri.
62 – Odiei a Espanha.
63 – Encontrei a Aline.
64 – Comi no 100 montaditos.
65 – Tirei uma foto digna de National Geographic no Templo de Debod.
66 – Tive saudade da comida da mamãe.
67 – Matei a saudade da Elisa e da Laura, amigas espanholas.
68 – Desejei estar no Brasil.
69 – Deixei de odiar a Espanha.
70 – Fiz um boletim de ocorrência em inglês e me enrolei muitoooo!
71 – Voei para Itália.
72 – Demorei anos para achar o hostel em Roma.
73 – Fiquei impressionada quando vi o Coliseu.
74 – Cansei de tanto caminhar.
75 – Estudei para o IELTS.
76 – Fiquei sem dinheiro em Roma.
77 – Fui para Holanda.
78 – Paguei 10 euros por um cartão telefônico em Amsterdã.
79 – Fiquei impressionada com a quantidade de bicicletas na Holanda.
80 – Dormi no aeroporto.
81 – Desejei estar em Londres.
82 – Voltei para Londres depois de 10 dias pela Europa.
83 – Dormi 15 horas para me recuperar da viagem.
84 – Levei o Fábio no aeroporto.
85 – Fiquei longe do Fábio no aniversário dele.
86 – Senti saudades do Fábio.
87 – Fechei as malas.
88- Abri as malas para arrumar tudo de novo.
89 – Fui bem na prova do IELTS.
90 – Tirei coisas das malas.
91 – Fechei as malas pela última vez.
92 – Voltei para o Brasil.
93 – Mostrei fotos.
94 – Matei a saudade da família.
95 – Dei presentes.
96 – Comi um xis do Ilgo.
97 – Fui para SP.
98 – Senti calor em SP.
99 – Engordei demais.
100 – Fiz um segundo ultrasom.
101 – Aluguei um apartamento em Venâncio.
102 – Cansei de mudança.
103 – Cansei de faxina.
104 – Ganhei uma planta.
105 – Mantive a planta viva.
106 – Conheci a 25 de Março.
107 – Deixei o apartamento em ordem.
108 – Coloquei luzinhas de Natal na sacada.
109 – Comi galinhada na Bierchopp Fest.
110 – Descobri uma anemia e uma infecção urinária.
111 – Voltei para Venâncio.
112 – Recomecei a olhar Friends (pela enésima vez).
113 – Ganhei um chá de panela.
114 – Entrei em um grupo de gestantes.
115 – Levei a Rafa, a Paula, a Jú e o Fábio para passear no interior de Venâncio.
116 – Fui em muitas festas de família.
117 – Mostrei o centro de Porto Alegre para o Fábio.
118 – Viciei em Guitar Hero.
119 – Senti o bebê mexer.
120 – Desejei que 2011 seja um ano tão maravilhoso quanto foi 2010.

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Cidade em tópicos, Just me, Londres

A cidade em tópicos – Parte VI

* A VIDA EM CASA DE ESTUDANTE/ DIVIDINDO CASA OU FLAT

A vida de estudante em Londres não deixa muitas alternativas em relação à moradia. Geralmente as agências oferecem duas opções: acomodação em casa de família ou em casa de estudante. A primeira, de modo geral, é mais cara. No entanto, o benefício é a convivência com pessoas que falam inglês o tempo todo. Assim, maiores as chances do intercambista desenvolver a fluência no idioma. Já a escolha por morar em uma “república” é mais em conta financeiramente. O risco é cair em um lugar só com brasileiros e falar português o dia inteiro.

Quando eu cheguei em Londres optei por um flat onde na época moravam 9 pessoas no total, inclusive comigo. Vou contar um pouquinho da acomodação lá (eu me mudei há uma semana para uma outra casa).

Com o pessoal do meu primeiro endereço em Londres

O “apartamento” possui 4 quartos (2 triplos, 1 duplo e 1 single), 1 banheiro grande, cozinha, quartinho do Harry Potter (espaço embaixo da escada usado como dispensa) e laje (isso mesmo, tipo uma sacada arcaica, o acesso era pela janela da escada dos quartos). A localização é regular (zona 3, perto da estação de Seven Sisters). A vantagem é que o flat fica numa rua principal onde passam ônibus para quase todas as regiões de Londres. No entanto, o fato de ser numa rua movimentada não é bom no que se refere ao barulho (de carros e nos fins de semana de gurizada pra lá e pra cá).

Minha casa atual

Acontece que agora troquei de endereço. Optei por uma casa, um lugar maior. São 5 quartos (4 duplos e 1 single) e 9 pessoas morando juntas no total. O local possui uma cozinha grande, 2 banheiros e um pátio nos fundos. Fica perto de Green Lane, da estação de Manor House (zona 2).

Mesmo tendo mudado há pouco tempo percebi que os problemas nas duas casas são os mesmos. Os principais são limpeza e noção de individual/coletivo. Regras simples como: usar – guardar, sujar – limpar são esquecidas e foco das principais discussões.

Cozinha da casa nova

Morar com outras pessoas implica aceitar diferenças, ter paciência e respeitar os outros. No entanto, no dia-a-dia essas coisas parecem se perder em diversas situações.

Desde que cheguei posso afirmar que já aprendi muito nesse sentido. Eu morava com duas amigas em Porto Alegre, mas a gente nunca teve nenhum tipo de problema, era a convivência perfeita. É claro, a gente escolheu dividir o mesmo espaço umas com as outras. Além disso, nos conhecemos desde pequenas e temos muitas coisas em comum.

Em Londres a gente mora com pessoas que nunca viu na vida antes. É muito complicado, principalmente se você tem que dividir quarto com alguém estranho. Logo que cheguei fiquei num dormitório triplo com a Paula, que viajou comigo, e uma outra mulher, totalmente diferente da gente e muito estranha. Tivemos problemas e a tal mulher foi embora do flat depois de mais ou menos um mês que a gente tinha chegado.

Mas resumindo a história: esses dias me dei conta de que a minha mala grande estava sem rodinhas. Eu só tinha usado a mala na viagem do Brasil para a Inglaterra, desde então ela estava em cima do meu armário. Ou seja, a mulher arrancou as rodinhas da minha mala antes de se mudar (o quarto ficava trancado, só nós 3 com a chave). Acredito que tenha sido por sacanagem mesmo. Um belo exemplo do tipo de coisa que pode acontecer quando se mora com pessoas diferentes.

A minha história não é nada perto do que já ouvi em Londres. Gente que até roubado foi dentro de casa. São situações complexas, porém, também não posso negar que dividir moradia em território estrangeiro têm as suas vantagens. Quando se está longe da família, os flatmates são a maior referência de segurança. Fiz amigos que quero levar comigo a vida toda…

Mas enfim… com tudo a gente aprende e cresce. Para finalizar deixo algumas dicas na hora de procurar um flat ou uma casa para dividir em Londres.

– Pesquise. Tenha calma e paciência. Procurar lugar para morar é um saco, mas é muito importante e vai fazer diferença depois.
– Preste atenção na localização e veja os meios de transporte disponíveis na região (ônibus, metrô, trem).
– Verifique os mercados próximos.
– Aluguel barato nem sempre significa economia. Verifique os gastos com transporte (o valor dos passes aumenta conforme a zona) e veja também se as contas estão incluídas no aluguel.

Veja também a parte I – Transporte.

Veja também a parte II – Alimentação.

Veja também a parte III – Clima.

Veja também a parte IV – Jornais e Revistas.

Veja também a parte V – As mídias brasileiras.

Eu por eu mesma, Just me, Londres, Observações, Saudades de Venâncio

Balanço de 3 meses

Nossa! Já se passaram 3 meses desde que eu cheguei em Londres. Muita coisa aconteceu neste período e minha vida deu mil e uma voltas em torno do céu e do inferno.

O primeiro dia foi meio chocante. Lembro que eu e a Paula passamos o maior sufoco para carregar as malas por meia quadra. Chegamos na porta preta do número 477 da High Road um tanto desconfiadas e nervosas. Logo o Danilo e o Fernando desceram para nos ajudar com as coisas. Quem diria que 3 meses depois eles seriam praticamente parte de uma nova família que criamos, a nossa querida família do “gueto”.

Mas foi justo o gueto que nos decepcionou no primeiro momento. Moramos em Tottenham, bairro da zona 3 de Londres (a cidade é dividida em anéis ao redor do centro e cada anel corresponde a uma zona; a região central é a zona 1 e os números aumentam conforme os bairros se afastam do miolo). O local é repleto de indianos. Tanto o jeito de falar inglês (com um sotaque pesado) quanto o modo grosseiro e desconfiado nos deixou assustadas no início. O primeiro pensamento que nos ocorreu: temos que fugir daqui.

No entanto, uma semana foi o suficiente para tudo mudar. Começamos a nos aproximar dos meninos da casa e eles passaram a ser o principal motivo para não deixarmos o gueto. Hoje estamos bem acomodadas e chamamos o flat de “nossa casa”.

Por falar em meninos, bem… eu conheci o Fábio. Nossa história começou entre conversas descomprometidas na cozinha. Um capítulo especial na minha história em Londres. Provavelmente um capítulo que vai se extender até o Brasil e que deve render um livro a parte.

Pensando no Brasil eu lembro de saudade… A saudade que começou forte, já foi diminuindo e agora toma conta de mim a cada lembrança. Tenho que controlar o playlist para evitar provocar a memória.

Atualmente tenho 3 empregos (sim!) e já consigo me manter com o que ganho. No entanto, o custo de vida em Londres é alto e até alcançar a estabilidade foi complicado.

É frustrante ter o mundo ao seus pés e não poder aproveitar plenamente todas as oportunidades que aparecem. Todo fim de semana têm shows fantásticos, espetáculos, estreias no cinema. Isso sem falar na quantidade de cidades maravilhosas que gostaria de conhecer na Inglaterra e os outros países que quero visitar na Europa. Entretanto… tudo se resume ao dinheiro. Então… é preciso planejar e ter paciência.

Sobre minha habilidade com o inglês, ponto principal desta viagem, já apresento evoluções importantes. Na escola estou no nível upper-intermediate e devo trocar de turma no início de agosto para a preparação para o IELTS, prova de proficiência.

Percebo que no dia-a-dia consigo me expressar com uma certa facilidade. Melhorei bastante a minha capacidade de ouvir e ler em inglês. Minha maior dificuldade ainda é falar ao telefone, pois dependendo do sotaque da pessoa fica bem complicado.

Em linhas gerais é isso… Estou vivendo um dia por vez e tentando aproveitar o melhor que Londres oferece. A saudade do Brasil e da minha vida em Porto Alegre (com todas as pessoas que fazem parte dela) é muita, porém tento pensar em tudo que estou aprendendo. No momento não tenho muitas certezas sobre esta experiência. Mas por enquanto posso afirmar: so far, so good.

Londres

A vida em cinza, preto e branco

Londres não pára. O ritmo frenético está nas ruas, estações de metrô, nas pessoas se esbarrando nas ruas. Acostumada com a agilidade do jornalismo achei que não sentiria. Mas uma semana foi o suficiente para a minha garganta clamar por calma.
E aqui estou, na cama quentinha, enrolada numa manta e com uma xícara de chá (sim, o melhor hábito inglês que eu poderia aderir). No computador toca Chico Buarque na tentativa de provocar as lembranças de casa.

* * *

A cidade é maravilhosa. Cinza, sim. Chuvosa, demais. Porém, encantadora na sua simples complexidade. Perfeita nas suas dualidades.

* * *

Peculiaridades:

– Aqui o papel vai direto para o vaso sanitário. Nada de lixo nos banheiros.
– Não só a direção é ao contrário. As escadas rolantes também. Tudo que no Brasil seria pela direita aqui é pela esquerda. Tudo.
–  Não existe lugar na cidade que se fale apenas um idioma. Francês, português, espanhol e todas as outras línguas possíveis e bizarras estão por todos os lados.
– Nunca se fica mais do que 4 minutos esperando o metrô. Nunca. Na verdade, raramente se fica mais do que 2 minutos na estação.
– É difícil se perder na cidade. Tudo é muito bem sinalizado.
– Os ônibus continuam com linhas regulares e pontuais durante toda madrugada. E acreditem: é seguro!
– Não existe lixo nos transportes coletivos. Não sei o motivo. Mas as pessoas costumam colocar suas coisas em sacolinhas e levar até a lixeira mais próxima.
– Cachorros podem andar de ônibus e metrô. Por incrível que parela isso não gera nenhuma confusão (pelo menos não vi nada nesse sentido ainda).

* * *

No mais é isso. Vou cuidar da minha saúde para continuar batendo perna por aí e colocar tudo no blog 🙂
Beijos!

Jornalismo, Matéria, Radioweb

Uso de drogas é responsável por alto índice de casos de AIDS

Esta semana fui em uma coletiva do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, SIMERS. O assunto era a AIDS no RS. Tive acesso a números que me deixaram apavorada. Segue um dos dois boletins que fiz sobre o assunto para a Radioweb. Abaixo está o texto da matéria.

Clique AQUI para ouvir o boletim.

O Rio Grande do Sul é campeão no número de incidência de casos de AIDS notificados no país. Relatório do Ministério da Saúde referente a 2007 indica 43 vírgula 8 casos a cada 100 mil habitantes. Segundo Gerson Fernando, médico chefe da vigilância epidemiológica nacional, o uso de drogas é responsável pelos altos índices no estado.

Gerson enfatiza que o grupo considerado de risco é composto por usuários de drogas, homens que transam com homens e profissionais do sexo. Porto Alegre também lidera a lista das capitais com mais incidências de casos de AIDS notificados. O número chega a 111 vírgula 5 casos por cem mil habitantes. O segundo colocado é Florianópolis, com 57 vírgula 4 casos, o que representa quase a metade da Capital gaúcha. Além disso, entre as 20 cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes e maior taxa de incidência de AIDS, 15 são gaúchas.

Agência Radioweb, de Porto Alegre, Ananda Etges.

Jornalismo

ESSA É A MINHA DIRETORA

Jornalista diplomado aprende o quê?

Por Mágda Rodrigues da Cunha* (artigo publicado em Zero Hora desta terça-feira, dia 23)

Muitos são os debates desde o dia 17 de junho, quando o STF decidiu pela extinção da obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de jornalista. Fala-se em retrocesso histórico, manutenção de qualidade de parte das empresas, garantia da liberdade de expressão prevista na Constituição, comparação com outras categorias profissionais e até com arte e literatura.

Mas quem estuda para ser jornalista aprende o quê? E este é um foco pouco iluminado até agora e que é papel das instituições de Ensino Superior esclarecer. Neste texto, falamos do lugar do ensino de Jornalismo, que existe há aproximadamente 60 anos no Brasil, quando o diploma sequer era obrigatório.E o que o jornalista aprende desde então? Arte, produção de informação desqualificada, repressão à liberdade de expressão? Certamente não, mesmo que muitas declarações levem a esse entendimento.

O jornalismo é, talvez, a mais multidisciplinar das carreiras, pois, para transformar os fatos em narrativas jornalísticas, é preciso conhecer a realidade, sua construção, contexto e as formas de melhor apurar o fato, investigá-lo e difundi-lo. O jornalista aprende a ser o guardião da narração eticamente correta. O principal produto do jornalismo contemporâneo, a notícia, não é ficção. Os acontecimentos ou personagens das notícias não são invenção dos jornalistas. Como aponta a própria campanha de “45 anos de Zero Hora”, o jornal não publica nenhuma notícia, a menos que ela aconteça.

Um jornalista aprende português, filosofia, história, legislação, sociologia, entre outras disciplinas. O que não quer dizer que indivíduos com a formação nessas áreas possam narrar os acontecimentos. Um jornalista aprende técnicas específicas de sua profissão, como reportagem, edição, linguagens para as diferentes mídias, estudos de recepção, formas adequadas de tratar um acontecimento, considerando princípios éticos. Jornalismo não oferece risco de vida?

Imagine-se as consequências para qualquer indivíduo que tenha acontecimentos mal apurados e amplamente divulgados na mídia a respeito de sua vida. E que condições emocionais tem um soldado de narrar os fatos por seu blog, diretamente de uma guerra? Pode um torcedor narrar o jogo de seu próprio time e garantir alguma imparcialidade?

Em plena sociedade da informação, é impossível falar em restrição à liberdade de expressão. A telefonia celular e a internet já estabelecem novas relações entre os cidadãos e o poder. Cada um é capaz de contar a sua história, mas não o fato sob suas muitas dimensões. Isto é função do jornalista. Nessa mesma sociedade, precisamos de garantias legais e regulação para que estejam bem formados aqueles que vão fazer a mediação em meio a tanto conteúdo.

Aqueles que vão garantir credibilidade aos fatos que nos chegam das mais diversas frentes. Os soldados e torcedores não desejam narrar os fatos jornalisticamente. Desejam apenas, como apontam as pesquisas, usufruir da liberdade de expressão que as modernas tecnologias oferecem. O jornalista aprende na universidade exatamente sobre qual é o seu lugar dentro da narração de um fato.

* Jornalista, diretora da Faculdade de Comunicação Social (Famecos), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)