Lições, Sem-categoria

Viva ao surrealismo

Não são poucos comentários e postagens no facebook que vejo uma certa ignorância. Minha percepção de ignorância está associada quando alguém não consegue se colocar no lugar do outro, simplesmente não entende que existem milhares de argumentos soltos por aí. Pois bem, lembrei das sábias palavras do nosso amiguinho Habermas (não lembro exatamente a frase bonitinha) em que dizia algo parecido com “quando determinado grupo entra em consenso com alguma ideia, ela se torna uma verdade”. Habermas deveria ser lembrado todos os dias, e talvez assim, a ignorância estaria menos presente, tanto nas ações como nas redes sociais.

Sobre os diversos pontos de vistas que cada indivíduo pode ter, fiquei imaginando a minha vida sem as lentes de contato. Eu sou meio (muito) cega e uso lentes faz um tempinho, e ainda acho graça quando as pessoas se surpreendem que eu não consigo enxergar as coisas nitidamente a mais de um metro de distância. É triste e encantador. Sem as lentes, vislumbro algumas formas e logo associo com algo que eu talvez possa estar vendo (tipo o vídeo de Feels Like We Only Go Backwards). É um constante exercício de imaginação. Sendo assim, eu cega/ eu usando lentes, tenho novos olhares e percebo que falta essa aceitação. Aceitar e compreender que existem muitos pensamentos, muitas ideias e nenhuma verdade.

Certa vez me disseram que a única diferença entre o sábio e louco, é de que o sábio ia à loucura, mas sabia o caminha de volta. Será que não falta uma dose de loucura diariamente? Eu não costumo lembrar de muitas coisas, tanto é que sou péssima em lembrar de datas de aniversário, listas, nomes, e acabo anotando a minha vida inteira na agenda da escola, claro, além de fazer milhares de listinhas do que fazer. Mas existem alguns sonhos específicos, talvez os mais delirantes,  na qual eu me lembro direitinho. São sonhos que me fazem acordar vidrada e com uma vontade gigantesca de fazer algo extraordinário. Quantos sábios foram menosprezados para enfim as pessoas verem que suas mentes eram geniais? Quantas pessoas ainda serão menosprezadas para entendermos que cada um pensa diferente? Nada tem graça sem loucura, é preciso ter vários olhares, milhares de sonhos, no entanto, ser um ser vivo que faça tudo aquilo que busca. Literalmente como Breton diria sobre os sonhos no Surrealismo,

liberação do subconsciente, a valorização do sonho e suas imagens desconexas, enevoadas e irreais

 

 

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Observações, Sem-categoria

Montanha Russa, Roda Gigante e Pula Pula

A vida não é um parque de diversões (uau, grande reflexão). Acredito que muitos tem o que eu chamo de cérebro “pula pula”, inclusive eu. É quando as ideias surgem do nada e precisamos muito fazê-las e coloca-las em prática, ou quando simplesmente somos iluminados por uma fonte de força de vontade. Não existe o depois nesses momentos, é na hora que as coisas precisam acontecer e logo. O que eu aprendi, muito mais na marra, é que no meio dessa inquietação toda, falta calma nessa vida montanha russa. Chamo assim por dar um friozinho na barriga na subida, e do nada, no seu auge, despenca. Subidas e descidas, no final queremos repetir a dose da diversão. Mas afinal, dentro desse parque de diversões, qual vai ser o seu legado nesse mundo roda gigante?

Somos frutos do meio em que vivemos, cada ação, por mais pequena que seja, trará resultados, podendo ser positivo ou ainda negativo. Esse é justamente o motivo da preocupação de como deixaremos o mundo, a nossa herança. Toda batalha que enfrentamos para ver justiça e mudanças no mundo valerá a pena para gerações futuras,

“todo o incômodo é aprazível quando termina em legado”- Machado de Assis.

É muito provável que escutamos muito mais notícias desanimadoras, como corrupção, desmatamento, violência, desastres, do que notícias sobre pequenos gestos. No meio de tudo isso temos ideias brilhantes e pessoas transformando o lugar onde vivem, só que não ganham tanto destaque. Dentro de cada um existe um ideal revolucionário esperando para ser colocado em prática. Como Rousseau afirmava, “nascemos bons e a sociedade nos corrompe”, mas podemos complementar esse pensamento dizendo que podemos nos “resgatar” com boas ações, e ainda, podemos construir uma sociedade que ao contrário de corromper, acrescenta virtudes e valores.

Diferente do que imaginamos, enquanto existe poucos matando, existe muitos ajudando em doações, poucos entrando no tráfico de drogas, mas muitos entrando em organizações comunitárias, ou seja, ainda existe uma esperança em transformar os casos de violência e desastres gerais, minorias dentre tantas ações feitas para restaurar o lugar em que vivemos. A chance que temos de deixar legados ruins são grandes, porém alteráveis e isso basta para iluminarmos os nossos ideais revolucionários.

Quando sentir e o cérebro “pula pula” impulsionar, apenas se jogue. É maravilhoso sentir um friozinho na barriga

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Cartas, Família, Londres, Sem-categoria

“Vosi tisa dade”

Demorou um tempinho até enfim acreditar que vocês não estariam mais nos almoços de família todos os domingos, ou que de tardezinha não buscaríamos mais as crianças na escola. Diante desse choque de realidade, percebemos que somos muito mais fortes do que imaginávamos. Eu sei que não deveria ter mexido (sorry), mas fui atraída pelo estante de livros. Olhando os fotolivros do Vítor e da Clara, acabei achando uma cartinha. Quem me conhece sabe que eu tenho mania de fazer cartinhas bem coloridas e cheias de coraçõezinhos, pois bem, esse costume é de sempre. Mesmo com erros de ortografia, a inocência do “vosi tisa dade” da época que a Nanda se mudou para Porto Alegre e hoje o “vou sentir saudade” de Londres, carregam a mesma essência.

Não falta mais tanto tempo para encher vocês de abraços e escutar as tagarelices da dona Clara, ou criar um universo de imaginação com o Vítor. Não falta muito mais para colocar o papo em dia com a Nanda e com o Fábio, fazer planos de passeios, ou arrastar o paninho do Dexter para cima e para baixo para o ver abanando o rabinho. Faltam apenas 84 dias para matar a saudade de uma parte do meu coração que se mudou para Londres.

Na aula de espanhol montamos vídeos sobre as nossas infâncias e acabei achando registros da antiga filmadora. Minha irmã sempre foi minha segunda mãe, e mesmo com a distância, não vai faltar amor e carinho na infância do Vítor e da Clarinha. Segue o vídeo e o cartão “vosi tisa dade”:

 

 

 

 

 

Coisas que me incomodam, Eu por eu mesma, Sem-categoria

Eu por eu mesma

Timidez sempre me definiu, a vergonha de falar em público, de dar um simples oi ou socializar me deixavam de bochecha vermelhinha. Não foram poucas vezes que comecei tremer e passar mal de tão nervosa antes de falar em público. Evolui um pouco, continuo tremendo absurdamente, mas não tenho mais tanto medo, é “só” falar. Engraçado que jornalismo exige pessoas que dominam a arte de falar em público, algo improvisado e bem colocado. Será que sou capaz disso?

Comemoro em silêncio minhas pequenas conquistas, ás vezes falando para minha mãe:

-Consegui ler meu texto na aula, mãe!!

-Deu tudo certo na reunião do Interact, nem fiquei tão nervosa…

Ainda bem que mudamos, crescemos com os erros, e obrigada por todos aqueles que olham para o meu pavor antes de falar em público e falam:

-Vai dar tudo certo.

Do fundo do meu coração, espero que dê certo mesmo.

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Um raro momento que falei abertamente com todo o meu coração

 

 

Sem-categoria

Primeira Prova

Muitos sistemas de ensino são falhos, uma pena. Crianças desde cedo são testadas com provas e mais provas, pode ser até legal no início, afinal, toda criança gosta de se sentir adulta às vezes. Com 7 anos (deve ter sido) cheguei em casa animada e perguntei pra minha mãe como estudamos. A resposta foi decepcionante: Lendo, fazendo exercício de novo. Aqui começou uma etapa em minha vida que parece não ter fim. Pode ser desafiador ou um tanto frustrante. Estudar horas e horas para passar em uma prova, e depois? Não parece muito sano provar que não somos bons em certas matérias, já sabemos isso. Férias nunca foram tão preciosas, o tempo nunca foi tão curto e a lista de coisas para serem feitas nunca foi tão grande. Só lamento. Seria desperdício não aproveitar o que temos agora, e por mais que tenha estudo, tem formas de equilibrar a diversão também.Vítor em seus graciosos 5 anos me disse que seria médico e também dono de um caminhão de sorvete. O motivo? Ajudar as pessoas e se divertir. Desejo que sua imaginação não acabe por aqui, seja dono do que quiser, mas goste muito do que fizer, e ainda aprenda que”ser louco nesse mundo insano, é a única possibilidade de ser sadio nesse mundo doente.”

 

Bobagens, Sem-categoria

Dias de “amei” na internet

Quem somos nas redes sociais? Vivemos publicando e expondo nossas vidas pessoais. É muito fácil de saber o que estamos sentindo ou fazendo, basta entrar no spotify e ver a música que o fulano está escutando, o status no whatsapp e suas publicações no facebook. Nem entro muito em detalhes do snapchat, já que não costumo entrar. Mas é isso, estamos cercados de informações sobre o próximo e do que queremos que as pessoas saibam (e quanta indireta entra aqui).

Me encaixo direitinho nesse universo bizarro de indiretas, meu status está de prova. É “só” uma parte de uma música, “só” uma frase… O spotify é outra vítima das mudanças do meu humor, tocando de indie até funk. Tem dias que dá vontade e vou dando “amei” por todo o facebook, me sinto uma hippie espalhando coraçõezinhos por aí.

E já que estou falando de humor e indiretas, aqui está a música chiclete na minha cabeça:

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Maravilhosa Peppa Pig

Segundo Rousseau “nascemos bons e a sociedade nos corrompe”. Seguindo nessa linha de pensamento, são justamente as crianças que não foram corrompidas ainda e são facilmente manipuladas por serem ingênuas em sua maioria. O consumismo infantil é um assunto vinculado principalmente com o uso de propagandas esbanjando cores e personagens infantis do momento. Se em uma determinada publicidade aparecer, por exemplo, a Peppa Pig mostrando um produto, por mais simples que seja, será comprado para satisfazer um desejo. Isso quer dizer que estamos comprando a felicidade da marca Coca- Cola, as aventuras com Nescau Radical, uma vida perfeita com a Barbie e suas amigas.

Uma grande ilusão para o tamanho da ingenuidade de uma criança no fato de comprar algo que não está no pacote. O filósofo Schopenhauer apresenta que a origem de nossas frustrações está diretamente ligada com o desejo e a vontade, ou seja, somos um ciclo de desejos e decepções. Um dia os brinquedos quebram, estragam e são simplesmente substituídos por novos, porém existem consequências no consumo infantil exagerado. Quais são os valores que estamos ensinando em uma infância consumista?  A maioria dos produtos comprados por uma família são escolhidos pelas crianças, mas elas não levam a culpa, pelo contrário, são apenas frutos da educação que receberam.

O marketing não vai parar, ainda mais com o mercado infantil lucrando de alimentos até brinquedos. Dados relevam que é necessário apenas 30 segundos para uma determinada marca influenciar uma criança, que até cinco anos não entende a diferença de programa de TV e comercial. Dentre as consequências estão à apatia, passividade, individualismo, distanciamento nas relações familiares.  A obesidade é também um problema sério, como mostra a pesquisa “Targeting Children With Treats” apontando que as crianças que já têm sobrepeso aumentam em 134% o consumo de alimentos com altos teores de sódio, gorduras trans e açúcar, quando expostas à publicidade desses produtos.

Ninguém nasce consumista, mas infelizmente as crianças são o alvo mais viável de manipulação. Da mesma forma que é possível moldar o pensamento de alguém para obter algo, é fácil também construir uma infância voltada para o aprendizado de virtudes, brincadeiras, construção de uma identidade melhor. Para Habermas, quando determinado grupo entra em consenso com alguma ideia, ela se torna verdade, ou seja, as crianças conseguem formar uma verdade aceita por elas, quando, por exemplo, a Peppa Pig mostra o quanto é maravilhoso certo brinquedo em algum comercial. “A ingenuidade é uma força que os astutos fazem mal em desprezar”, é incrível o que podemos ensinar e aprender com uma criança.

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