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Ataque do Coração

Protestamos, mesmo que internamente. No fundo, todos querem um mundo melhor. Afinal, o que estamos fazendo de fato para ter esse mundo utópico? As manifestações que estão ocorrendo em meio aos caos do Brasil demonstram quem somos. Somos as pessoas que vão em frente por grandes causas ou apenas assistimos pela televisão o que está acontecendo atualmente?

A liberdade de expressão que conquistamos depois do processo de ditadura militar serviu para colocarmos o conceito de democracia em evidência. Temos o direito e o dever de nos unir contra quem não acredita que temos o poder de transformar o meio em que vivemos. Certa vez, uma professora  falou que jamais vamos mudar o mundo sozinhos, e essa frase, por mais que tivesse atingido o meu espírito revolucionário e infantil que achar que tudo pode se resolver com amor, serviu para mostrar que preciso de apoio.

Os ataques terroristas que ocorreram ontem (3 de junho de 2017) e não somente nessa data, mas cito em especial essa, justamente pelo meu coração ter parado com as notícias. Naquele momento, pessoas inocentes que estavam apenas seguindo seus respectivos rumos, foram mortas, é indescritível a repercussão. No entanto, no meio da tragédia, sempre existe a solidariedade com gestos simples. O show beneficente que ocorre hoje em Manchester, e também a visita da Rainha Elizabeth no hospital em Londres, nos demonstra força, e é disso que precisamos. Unir as mentes e seguir em frente, porque o mundo pode ser muito bonito, mas em suas entranhas, existe uma névoa sombria esperando a próxima vítima. Violência é o cúmulo, destrói tudo o que um dia conquistamos. Violência corrompe, mata. Violência provoca ataques cardíacos com as notícias. Podia ser na minha família ou com os meus amigos, e por isso, preciso de apoio para não deixar o mundo cair no precipício.

Londres (424)

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Bye Brazil, Cidade em tópicos, Eu por eu mesma, Família, fotos, Londres, Saudades de Venâncio

Minha casa por dois meses

Confesso que ainda não tinha achado nenhuma forma de escrever tudo o que eu vivi nesses últimos dois meses. Por isso, vou tentar resumir o que eu fiz e como me senti. Senta aí que vem tagarelices…

Minha irmã, Ananda, se mudou para Londres em agosto de 2016, e logo começaram os planos de viagem. 30 de novembro chegou tão rápido, acabei embarcando sem acreditar que realmente estaria indo. Minha vó também foi, no entanto ficou durante só duas semanas, então aproveitamos e pegamos um trem para Paris.

Ficamos na França três dias, dos quais dois foram na Disneyland e um de turismo pela cidade. Os parques da Disney são super parecidos com os de Orlando, porém um pouco menores e o castelo principal é da princesa Aurora, vulgo Bela Adormecida, ao contrário de Orlando que tem o castelo da Cinderela. Além de passar por importantes pontos turísticos de ônibus e dar uma paradinha de 4 horas no Museu do Louvre (acredite, seria necessário uns dois dias inteiros para conhecer todo o museu), o passeio seguiu com um passeio de barco pela Torre Eiffel. A arquitetura de Paris é incrível, mas eu particularmente prefiro a de Londres.

Voltando a Londres, e agora sem minha vó e com a minha irmã trabalhando, comecei a rota de passeios. Não é tão difícil quanto parece estar sozinha em um lugar totalmente diferente. Para começar, eu tinha Oyster (cartão de transporte que valia para ônibus, underground e overground) , o que facilitou a minha vida um monte. O essencial é saber voltar para casa, o resto é detalhe. Eu morei com minha irmã, meu cunhado e meus dois sobrinhos em Walthamstow Central, última estação da Victoria Line.  Normalmente os lugares que eu visitava, ficavam uma hora de casa. Pensando assim, parece muito, mas o tempo voa no metrô ou no ônibus. Resumindo, a rede de transporte em Londres é muito organizada, e fica mais fácil ainda com o uso de aplicativos, como Citymapper.

mapa-metro-londres
Mapa do Underground de Londres

A maioria dos museus de Londres são de graça e agradam todos os gostos. Eu particularmente amei o Imperial War Museum ou Museu da Guerra. Além de apresentar a história através de projeções, documentos oficiais, roupas da guerra, aviões e carros, o museu conta com uma  trincheira. Eu sei que normalmente os museus são chatinhos e cansativos, mas os que eu visitei foram super interativos.

Outro passeio que eu amei foi a Torre de Londres, segue o vídeo do canal do Projeto de Mãe:

Eu poderia ficar horas falando sobre os passeios, mas segue aqui os lugares que eu visitei e me lembro:

  1. Big Ben
  2. London Eye
  3. Sea World
  4. Disneyland Paris
  5. Torre Eiffel
  6. Catedral de Notre-Dame
  7. St Paul’s Cathedral
  8. London Bridge
  9. Picadilly Circus
  10. Convent Garden
  11. Winter Wonderland
  12. Green Park
  13. Camden Town
  14. Museum of Childhood
  15. Natural History Museum
  16. Hard Rock Cafe London
  17. British Museum
  18. National Gallery
  19. British Library
  20. Greenwich Park
  21. Lancer’s Square
  22. Oxford Circus
  23. Buckingham Palace
  24. St James Park
  25. Imperial War Museum
  26. Victoria Park
  27. Tate Modern
  28. Tate Britain
  29. Tower of London
  30. Westminster Abbey
  31. Plataforma de King Cross
  32. Trafalgar Square
  33. Abbey Road
  34. Museu do Louvre

No meio das multidões nas estações, nos museus, nas ruas, eu encontrei o que parece óbvio, mas nem todo mundo entende. Eu encontrei eu mesma. Sozinha? Sozinha no mundo, e isso que importa. “Abrir as asas” e voar me permitiram crescer como pessoa, ganhar maturidade, responsabilidade e principalmente independência. Pai e mãe, esse foi o melhor presente que vocês poderiam me dar. Um mundo inteirinho para descobrir. Quando se está longe, a saudade bate e ficamos divididos. Nesse tempo com minha irmã, entendi como é estar do outro lado da telinha do computador. O skype facilita, sem dúvidas, mas sabemos o valor de um abraço apertado. Contato em carne osso. O sentimento nu e cru. O que antes era a saudade de casa, agora ganhou dois sentidos. Dois lares tão distantes. Entre os encontros e partidas, a saudade aperta e grita lá no fundo. A prova desse sentimento são meus olhos cheios de lágrimas ao sentir o cheiro das minhas roupas ainda não lavadas de Londres, minha outra casa. É quando eu olho ao meu redor e sinto o vazio de ter dois lares. O coração nunca vai estar satisfeito sem estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Cartas, Família, Londres, Sem-categoria

“Vosi tisa dade”

Demorou um tempinho até enfim acreditar que vocês não estariam mais nos almoços de família todos os domingos, ou que de tardezinha não buscaríamos mais as crianças na escola. Diante desse choque de realidade, percebemos que somos muito mais fortes do que imaginávamos. Eu sei que não deveria ter mexido (sorry), mas fui atraída pelo estante de livros. Olhando os fotolivros do Vítor e da Clara, acabei achando uma cartinha. Quem me conhece sabe que eu tenho mania de fazer cartinhas bem coloridas e cheias de coraçõezinhos, pois bem, esse costume é de sempre. Mesmo com erros de ortografia, a inocência do “vosi tisa dade” da época que a Nanda se mudou para Porto Alegre e hoje o “vou sentir saudade” de Londres, carregam a mesma essência.

Não falta mais tanto tempo para encher vocês de abraços e escutar as tagarelices da dona Clara, ou criar um universo de imaginação com o Vítor. Não falta muito mais para colocar o papo em dia com a Nanda e com o Fábio, fazer planos de passeios, ou arrastar o paninho do Dexter para cima e para baixo para o ver abanando o rabinho. Faltam apenas 84 dias para matar a saudade de uma parte do meu coração que se mudou para Londres.

Na aula de espanhol montamos vídeos sobre as nossas infâncias e acabei achando registros da antiga filmadora. Minha irmã sempre foi minha segunda mãe, e mesmo com a distância, não vai faltar amor e carinho na infância do Vítor e da Clarinha. Segue o vídeo e o cartão “vosi tisa dade”:

 

 

 

 

 

AMO!, Bye Brazil, Londres, Meu Porto Alegre, Saudades de Venâncio, tempo

2 meses

Quando menos se espera tudo acaba.
Quando a noite completa o mundo desaba.

Só mais 2 meses pra sentir o cheiro de Venâncio, abraçar a Rafa até o corpo cansar, correr até a Preta, ouvir a mãe gritar, mostrar para o Caio as fotos da viagem, receber um abraço doído de mágoa do pai, cheirar a nega-maluca da vó Ica, contar sobre os lugares que conheci pro vô Adão, entregar os presentes do Arthurzinho, me encaixar nos braços da vó Tila, jogar conversa fora com a tia Bi, sair com o Muca e a Grê, fazer nada com a Édina, a Laura W. e a Di, beber com a Laura S. e com a Camila, ir pro Beco com o Marcus e Cia., jantar e fofocar com a Aline R. e com a Raquel, visitar a Radioweb, tomar café na Famecos. Só mais 2 meses…

Cidade em tópicos, Just me, Londres

A cidade em tópicos – Parte VI

* A VIDA EM CASA DE ESTUDANTE/ DIVIDINDO CASA OU FLAT

A vida de estudante em Londres não deixa muitas alternativas em relação à moradia. Geralmente as agências oferecem duas opções: acomodação em casa de família ou em casa de estudante. A primeira, de modo geral, é mais cara. No entanto, o benefício é a convivência com pessoas que falam inglês o tempo todo. Assim, maiores as chances do intercambista desenvolver a fluência no idioma. Já a escolha por morar em uma “república” é mais em conta financeiramente. O risco é cair em um lugar só com brasileiros e falar português o dia inteiro.

Quando eu cheguei em Londres optei por um flat onde na época moravam 9 pessoas no total, inclusive comigo. Vou contar um pouquinho da acomodação lá (eu me mudei há uma semana para uma outra casa).

Com o pessoal do meu primeiro endereço em Londres

O “apartamento” possui 4 quartos (2 triplos, 1 duplo e 1 single), 1 banheiro grande, cozinha, quartinho do Harry Potter (espaço embaixo da escada usado como dispensa) e laje (isso mesmo, tipo uma sacada arcaica, o acesso era pela janela da escada dos quartos). A localização é regular (zona 3, perto da estação de Seven Sisters). A vantagem é que o flat fica numa rua principal onde passam ônibus para quase todas as regiões de Londres. No entanto, o fato de ser numa rua movimentada não é bom no que se refere ao barulho (de carros e nos fins de semana de gurizada pra lá e pra cá).

Minha casa atual

Acontece que agora troquei de endereço. Optei por uma casa, um lugar maior. São 5 quartos (4 duplos e 1 single) e 9 pessoas morando juntas no total. O local possui uma cozinha grande, 2 banheiros e um pátio nos fundos. Fica perto de Green Lane, da estação de Manor House (zona 2).

Mesmo tendo mudado há pouco tempo percebi que os problemas nas duas casas são os mesmos. Os principais são limpeza e noção de individual/coletivo. Regras simples como: usar – guardar, sujar – limpar são esquecidas e foco das principais discussões.

Cozinha da casa nova

Morar com outras pessoas implica aceitar diferenças, ter paciência e respeitar os outros. No entanto, no dia-a-dia essas coisas parecem se perder em diversas situações.

Desde que cheguei posso afirmar que já aprendi muito nesse sentido. Eu morava com duas amigas em Porto Alegre, mas a gente nunca teve nenhum tipo de problema, era a convivência perfeita. É claro, a gente escolheu dividir o mesmo espaço umas com as outras. Além disso, nos conhecemos desde pequenas e temos muitas coisas em comum.

Em Londres a gente mora com pessoas que nunca viu na vida antes. É muito complicado, principalmente se você tem que dividir quarto com alguém estranho. Logo que cheguei fiquei num dormitório triplo com a Paula, que viajou comigo, e uma outra mulher, totalmente diferente da gente e muito estranha. Tivemos problemas e a tal mulher foi embora do flat depois de mais ou menos um mês que a gente tinha chegado.

Mas resumindo a história: esses dias me dei conta de que a minha mala grande estava sem rodinhas. Eu só tinha usado a mala na viagem do Brasil para a Inglaterra, desde então ela estava em cima do meu armário. Ou seja, a mulher arrancou as rodinhas da minha mala antes de se mudar (o quarto ficava trancado, só nós 3 com a chave). Acredito que tenha sido por sacanagem mesmo. Um belo exemplo do tipo de coisa que pode acontecer quando se mora com pessoas diferentes.

A minha história não é nada perto do que já ouvi em Londres. Gente que até roubado foi dentro de casa. São situações complexas, porém, também não posso negar que dividir moradia em território estrangeiro têm as suas vantagens. Quando se está longe da família, os flatmates são a maior referência de segurança. Fiz amigos que quero levar comigo a vida toda…

Mas enfim… com tudo a gente aprende e cresce. Para finalizar deixo algumas dicas na hora de procurar um flat ou uma casa para dividir em Londres.

– Pesquise. Tenha calma e paciência. Procurar lugar para morar é um saco, mas é muito importante e vai fazer diferença depois.
– Preste atenção na localização e veja os meios de transporte disponíveis na região (ônibus, metrô, trem).
– Verifique os mercados próximos.
– Aluguel barato nem sempre significa economia. Verifique os gastos com transporte (o valor dos passes aumenta conforme a zona) e veja também se as contas estão incluídas no aluguel.

Veja também a parte I – Transporte.

Veja também a parte II – Alimentação.

Veja também a parte III – Clima.

Veja também a parte IV – Jornais e Revistas.

Veja também a parte V – As mídias brasileiras.

Londres

Mind the gap

Londres é a cidade do casaquinho. Pode chover a quaquer minuto. Dois segundos depois vem o sol. Daí chove de novo. Nuvens. Cinza. Pega sombrinha. Guarda a sombrinha molhada na bolsa. Oyster na mão. Fone no ouvido. Entra na estação. Derrete no metrô. Troca de estação. Mind the gap. Fecha o nariz para aguentar os fedidos. Olha uma revista. Espia o jornal. Metro. Evening Standard. Escada rolante. Lado direito para ficar parado. Lado esquerdo para subir rápido. Jamais tranque o lado esquerdo. Please. Excuse me. Sorry. Thanks.

Nice to meet you, London.

* Welcome, Bruka!

Eu por eu mesma, Just me, Londres, Observações, Saudades de Venâncio

Balanço de 3 meses

Nossa! Já se passaram 3 meses desde que eu cheguei em Londres. Muita coisa aconteceu neste período e minha vida deu mil e uma voltas em torno do céu e do inferno.

O primeiro dia foi meio chocante. Lembro que eu e a Paula passamos o maior sufoco para carregar as malas por meia quadra. Chegamos na porta preta do número 477 da High Road um tanto desconfiadas e nervosas. Logo o Danilo e o Fernando desceram para nos ajudar com as coisas. Quem diria que 3 meses depois eles seriam praticamente parte de uma nova família que criamos, a nossa querida família do “gueto”.

Mas foi justo o gueto que nos decepcionou no primeiro momento. Moramos em Tottenham, bairro da zona 3 de Londres (a cidade é dividida em anéis ao redor do centro e cada anel corresponde a uma zona; a região central é a zona 1 e os números aumentam conforme os bairros se afastam do miolo). O local é repleto de indianos. Tanto o jeito de falar inglês (com um sotaque pesado) quanto o modo grosseiro e desconfiado nos deixou assustadas no início. O primeiro pensamento que nos ocorreu: temos que fugir daqui.

No entanto, uma semana foi o suficiente para tudo mudar. Começamos a nos aproximar dos meninos da casa e eles passaram a ser o principal motivo para não deixarmos o gueto. Hoje estamos bem acomodadas e chamamos o flat de “nossa casa”.

Por falar em meninos, bem… eu conheci o Fábio. Nossa história começou entre conversas descomprometidas na cozinha. Um capítulo especial na minha história em Londres. Provavelmente um capítulo que vai se extender até o Brasil e que deve render um livro a parte.

Pensando no Brasil eu lembro de saudade… A saudade que começou forte, já foi diminuindo e agora toma conta de mim a cada lembrança. Tenho que controlar o playlist para evitar provocar a memória.

Atualmente tenho 3 empregos (sim!) e já consigo me manter com o que ganho. No entanto, o custo de vida em Londres é alto e até alcançar a estabilidade foi complicado.

É frustrante ter o mundo ao seus pés e não poder aproveitar plenamente todas as oportunidades que aparecem. Todo fim de semana têm shows fantásticos, espetáculos, estreias no cinema. Isso sem falar na quantidade de cidades maravilhosas que gostaria de conhecer na Inglaterra e os outros países que quero visitar na Europa. Entretanto… tudo se resume ao dinheiro. Então… é preciso planejar e ter paciência.

Sobre minha habilidade com o inglês, ponto principal desta viagem, já apresento evoluções importantes. Na escola estou no nível upper-intermediate e devo trocar de turma no início de agosto para a preparação para o IELTS, prova de proficiência.

Percebo que no dia-a-dia consigo me expressar com uma certa facilidade. Melhorei bastante a minha capacidade de ouvir e ler em inglês. Minha maior dificuldade ainda é falar ao telefone, pois dependendo do sotaque da pessoa fica bem complicado.

Em linhas gerais é isso… Estou vivendo um dia por vez e tentando aproveitar o melhor que Londres oferece. A saudade do Brasil e da minha vida em Porto Alegre (com todas as pessoas que fazem parte dela) é muita, porém tento pensar em tudo que estou aprendendo. No momento não tenho muitas certezas sobre esta experiência. Mas por enquanto posso afirmar: so far, so good.