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Você está vivendo ou apenas existindo?

O termo “procrastinar”, também conhecido pelo senso comum por “deixar para depois”, tem sido muito utilizado em geral no trabalho, escola ou até mesmo nas relações diárias dos indivíduos. Vivemos acumulando tempo e depois esquecemos como usá-lo conscientemente, ou seja, nos preparamos para o depois e o “agora” é perdido. Se pararmos para pensar, quem mais esbanja tempo na rotina, nos deparamos com as crianças e os idosos. No entanto, é preciso energia e disposição para usá-lo, sendo assim, as crianças são a resposta. Até que ponto os “pequenos” estão usufruindo dos bons momentos e aproveitando a infância devidamente? Ou ainda, quantas vezes vamos deixar para lá os assuntos e quando de fato chegar a hora, ter perdido a chance?

As primeiras civilizações que se formaram ao redor de grandes rios sustentavam-se por meio do modo de produção asiático, que foi a base para as grandes ascensões. Os dias e as horas eram convertidos em trabalho. Logo depois, grandes impérios se formaram e mesmo na Idade Média, enquanto o clero tinha a função de rezar e a nobreza de lutar, o que sobrava ficava sob responsabilidade dos servos.  Na sociedade contemporânea, a tecnologia trouxe inúmeros benefícios, mas o fato de alguns se prevalecem à custa dos trabalhos dos outros perdurou. Seria uma meritocracia? Seria impossível discutir sobre justiça quando muitos só conhecem o conceito da mesma. Ainda com a aposentadoria, muitas pessoas precisam continuar trabalhando para sustentar suas famílias. O tempo pode passar vagarosamente a espera do momento de finalmente “relaxar”, no entanto, para muitos ele nem chega. Como dizem, “tempo é dinheiro”, não se desperdiça.

Segundo dados da agência do Brasil, telefones móveis são acessados por 82% das crianças e dos adolescentes. Por uma análise de duas perspectivas, o uso da tecnologia sem dúvidas facilitou o contato dos pais com os filhos, além de outras vantagens como as pesquisas, noticiários, dentre outras. O fato é: não conseguimos viver sem estar conectados. Quantas vezes deixamos alguém falando sozinho enquanto estávamos mexendo no celular? Ou pior ainda, jogando joguinho para passar o tempo. Renato Russo transmite a ideia de “tempo perdido” em sua música e o verso “todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou” repassa bem a ideia e o paradoxo: estamos vivendo ou só existindo? Perda de tempo é esperar o ônibus ou alguém atrasado, mas ir atrás de ideias e de novas perspectivas, é simplesmente ir adiante por um bom motivo.

A idade das “trevas” durou do século V ao XV e abriu portas para o renascimento. Seria um retrocesso tornar o século XXI parecido em algumas circunstâncias, ou seja, ter um olhar de mundo baseado em telas de aparelhos eletrônicos, dessa forma, se isolando e não avançando. Ao invés de deixar para viver quando o tempo for curto demais, pense como William Shakespeare: “Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos.” Crianças precisam deixar os joguinhos dos celulares e prolongarem a infância. Precisamos olhar mais nos olhos quando conversamos com alguém, jogar conversa fora e não desperdiçar o nosso precioso tempo. Quem sabe assim estaríamos vivendo e não apenas existindo.

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Foto by Larissa Schneider 

 

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