Textos categorizados 'casa'

Previsão do tempo

Hoje acordei com todas as saudades latentes. Uma dor apertada, sofrida de sentir. Quis chorar, mas as lágrimas estavam presas. Não fizeram a gentileza de sair e me aliviar. Não sei o que me faria sentir melhor. Na verdade eu sei. Mas não quero aceitar que estou fracassando no meu plano perfeito. Queria a Carol aqui para me xingar um pouco. Praga que se mandou para o Canadá. E me deixou aqui… Cheia de perguntas. A Carol sempre tinha respostas para esses dias assim, de sol e vento. Não gosto de dias assim. O sol tenta aquecer, porém o vento insiste em atrapalhar o calor que quer penetrar na pele. O vento que bagunça tudo. Tá aí, é culpa do vento. Ele que misturou os meus sentimentos e trouxe de volta o que tinha guardado no fundo do meu coração. Quero a sobriedade do sol sem vento de novo. E não ter mais essas variações climáticas na alma. Porque ainda dói.

Telefone mudo

Fiquei aqui sentada. Sentada e pensando. Pensando no quanto eu queria te ter por perto. Eu ainda me escabelo de saudades de uma mensagem sem resposta. Minha cabeça virou um ponto de interrogação a cada partida. E assim continua enquanto aguarda como a noiva de Garibaldi. Só me falta o vestido branco e a paciência. Olhar para a porta não vai fazer com que tu volte mais rápido. Queria que a pressa do meu olhar te trouxesse de novo. Seja na Lancheria do Parque. Seja aqui em casa. Eu só te espero. E essa ansiedade com a volta faz o tempo passar. Minutos, horas, dias, semanas. E nada. E nada. Ninguém.

(re)descobrindo

Consegui uma façanha incrível. Fiz 20 anos entrarem em um quartinho dois por dois. Foi difícil, mas nada que um empurra aqui, aperta ali não resolvesse.
Sinto como se tivesse voltado para a convivência com humanos. Retornei de um exílio solitário. Os objetos mudam de lugar. As louças ficam sujas. É fantástico saber que não sou o único ser que vive no apartamento 102.
O chuveiro não é tão quentinho. Aprendi a tomar banho morno. Não morri por isso.
O espaço é menor. Aprendi a administrar o quarto compacto. Não morri por isso.
O ar condicionado não me pertence mais. Aprendi a me esquentar sem ele. E vejam só: não morri por isso.
E assim a vida segue. Feliz de ter com quem contar. Nesse momento me sinto um pouquinho mais dona do meu nariz. Mesmo sem muita explicação. Porém, cheia de convicção.

Agora fui

Hoje comecei a colocar a minha vida em caixas. A tão esperada mudança está acontecendo. Depois de um mês desesperada sem saber para onde ir encontrei um novo lar.
Já estava mais do que na hora de dar outro rumo para a minha vida. A solidão não me bastava mais. Quero gente. Quero companhia. Agora vou ter.
Revirar as minhas bagunças trouxe lembranças dos três anos e meio que morei na Lageado. Foram muitas noites jogando conversa fora com as gurias (minhas sempre visitantes), inúmeros negrinhos, horas de maratonas de Friends, faxinas embaladas por funk e crises. Sim, as crises foram muitas nesse período. Dúvidas, angústia, medo.
Cresci demais com a experiência de morar sozinha. Apenas 17 anos e um apartamento de dois quartos preenchido com meus sonhos, alguns móveis e objetos pessoais. Não foi fácil sair de uma casa com crianças, pátio, espaço e barulho. Sofri. Quebrei a cara sem mamãe e papai por perto. Mas aqui estou. Viva e feliz.

Ansiosa para a nova fase =)

Querendo outra vista

Meu Porto Alegre agora. Mas quero outra vista. Quero outra casa. Outra sacada. Ou até sem sacada. Não que eu tenha do que reclamar da imagem. É o silêncio da casa vazia que incomoda…

Imagem0079

Sim. Eu estou.

Com dúvidas.
Com medo.
Com frio.
Venta. E como venta.
Com saudade de casa.
Da Rafa.
Da Preta.
Do povo.
Do afilhado.
Da lista toda de Venâncio.
De Venâncio.
Do cheiro de Venâncio.
Com vontade de dançar.
De dançar muito.
De dançar muito com as gurias.
Putz. As gurias.
Com uma pilha de coisas.
As malditas coisas “por fazer”.
Com uma vontade tremenda de mudar de casa.
De ter A MINHA casa.
De ter o meu silêncio.
De fazer o meu barulho.
Sem ninguém ouvir.
Com o frio na barriga.
Com as bochechas rosadas.
Com as mãos suadas.
Com os três itens acima juntos.
Sim. Eu estou.
Apaixonada.
Querendo mais.
Querendo além.
Querendo você.
Sim. Eu estou.
É definitivo.
Que seja eterno enquanto dure.

Amém.

Frio

“E Santo Cristo há muito não ia para casa
E a saudade começou a apertar…”

Domingo

Noite de chuva.
Mas passou a chuva.
E troquei de canal.
E fui para o computador.
E cansou o braço.
E passou o Fantástico.
E voltou o Cabrini.
E pensei no trabalho.
Porém, esqueci o trabalho.
E quis dormir.
Mas desisti.
E ventou lá fora.
E senti frio.
Daí tomei um banho quente.
Daí voltei pro sofá.
Daí lembrei dos meus remédios.
Daí engoli as pílulas malditas.
Daí fiz um café preto.
Daí comi chocolate.
Daí perdi o sono pela segunda vez.
E fiquei procurando-o na internet.
E não achei.

A família vai aumentar…

Difícil escolher um só, não?!

Difícil escolher um só, não?!


PEQUENO PROJETO DE JORNALISTA

Espaço para opiniões e reflexões. Seja bem-vindo ao meu infinito particular!

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