E o novo troféu na estante não escondeu o porta-retrato empoeirado. Apenas o empurrou para o fundo. Porém, ele ainda está ao alcance, com um pouquinho de esforço é possível pegá-lo.
Por mais bonito que seja, o novo prêmio não acrescenta muito. As velhas medalhas já estão a mostra. O número não faz muita diferença.
Já o porta-retrato está ali, discreto. Não chama a atenção, mas quando é notado faz o coração bater mais forte. Desperta um suspiro de saudade. Mostra um passado traduzido em mãos, trocas, toques.
O troféu foi um momento. Só. E para sempre vai ser apenas isso.
O porta-retrato é a vontade de mais momentos. Mais. E para sempre mais do que isso.
*Na verdade, o troféu serviu para eu ver que ainda posso, mesmo sendo uma senhOOOura de 83 anos, camuflada num corpinho de 20.


0 Respostas para “Pó”