Arquivo para Setembro, 2009

Explicações

“Você é intensa, mas sua intensidade não costura para fora. Eu sou intenso, mas minha intensidade costura para fora antes mesmo de comprar os tecidos. Sei que não entendo nem metade do que já sentiu por mim. Por absoluta ausência de comunicação. Sei que não entende nem metade do que sinto por você. Por absoluta ausência de paciência. Eu preciso ouvir, você não precisa falar, nos amamos desinformados.

Maldita chuva que começou. Os relâmpagos são gravatas azuis em terno escuro. A sobriedade das sobras. A chuva sempre está vestida para velório. A chuva lava bagunçando. Deixa tudo mais sujo. Muito mais verdadeiro.”

Carpinejar

O dia que quebrei minha sombrinha no meio da rua

Era um dia nublado. Um dia triste. Um dia medíocre.
Eu caminhava e brigava com o vento. Brigava com as ideias.
Pois o vento ficou brabo comigo. E virou a sombrinha.
Existe cena mais patética do que alguém tentando desvirar uma sombrinha no meio da rua?
Eu estava no meio da rua. E com a sombrinha virada. Tentando desvirar.
Pois não consegui.
E foi minha vez de ficar braba com o vento. Descontei na sombrinha.
Toquei-a no chão. Tive um acesso de fúria.
E quebrei cada estrutura metálica que fazia parte daquela maldita sombrinha.
E a deixei ali, no meio da rua.
Segui para casa com a chuva na pele.
Era um dia nublado. Um dia triste. Um dia medíocre.

Carma

A primeira pauta não podia ser de outra editoria: polícia.
Brincando de ser repórter! Na Radioweb.
#feliz

Imagem1

Previsão do tempo

Hoje acordei com todas as saudades latentes. Uma dor apertada, sofrida de sentir. Quis chorar, mas as lágrimas estavam presas. Não fizeram a gentileza de sair e me aliviar. Não sei o que me faria sentir melhor. Na verdade eu sei. Mas não quero aceitar que estou fracassando no meu plano perfeito. Queria a Carol aqui para me xingar um pouco. Praga que se mandou para o Canadá. E me deixou aqui… Cheia de perguntas. A Carol sempre tinha respostas para esses dias assim, de sol e vento. Não gosto de dias assim. O sol tenta aquecer, porém o vento insiste em atrapalhar o calor que quer penetrar na pele. O vento que bagunça tudo. Tá aí, é culpa do vento. Ele que misturou os meus sentimentos e trouxe de volta o que tinha guardado no fundo do meu coração. Quero a sobriedade do sol sem vento de novo. E não ter mais essas variações climáticas na alma. Porque ainda dói.

Ele tinha razão

Platão estava certo. Amar alguém é ter esse amor como nosso, antes de qualquer coisa. É um sentimento independente da outra pessoa, apenas ligado a ela.
Hoje eu comecei a entender.
“Eu vou cuidar, eu cuidarei dele… Eu vou cuidar do seu jardim”

Tarde

Ela bateu a porta do carro e não quis olhar para trás. Abraçou a bolsa com toda força que restava. Queria esmagar os sonhos guardados ali dentro. Queria que eles se dissolvessem com seu amor e seu ódio.
Ele ficou parado por alguns segundos com os olhos úmidos de culpa. Olhou para ela pelo espelho. Percebeu seus passos apressados e imaginou que ela finalmente iria chorar, pois havia se segurado durante toda conversa dos dois. Estava enganado.
Ela não deixou nenhuma lágrima insistente cair. Atravessou a rua se equilibrando entre o movimento. Trabalhou como se nada tivesse acontecido.
Ele foi para o seu trabalho perdido no tempo. Levou o papel que ela pediu e entregou como solicitado. Carregou a folha como se segurasse o que restou dela por entre os dedos de unhas roídas.
Ela deixou o trabalho de cabeça baixa. Teve que abrir a bolsa para pegar a carteira. Ficou nervosa. Os sonhos estavam livres, escaparam. Não tinham sido esmagados e flutuaram. O choro chegou. E ela teve que partir. Mas desta vez, foi embora sem limpar as lágrimas. Não tinha mais vergonha de sofrer, pois agora seria pela última vez. Era o que esperava, de coração.

Telefone mudo

Fiquei aqui sentada. Sentada e pensando. Pensando no quanto eu queria te ter por perto. Eu ainda me escabelo de saudades de uma mensagem sem resposta. Minha cabeça virou um ponto de interrogação a cada partida. E assim continua enquanto aguarda como a noiva de Garibaldi. Só me falta o vestido branco e a paciência. Olhar para a porta não vai fazer com que tu volte mais rápido. Queria que a pressa do meu olhar te trouxesse de novo. Seja na Lancheria do Parque. Seja aqui em casa. Eu só te espero. E essa ansiedade com a volta faz o tempo passar. Minutos, horas, dias, semanas. E nada. E nada. Ninguém.

Deu. E doeu.

Entrei na redação assustada. Olhei para os lados e no fundo, próximo da porta de vidro do estúdio, encontrei um rostinho conhecido. Era a dona Sheron. Fiquei aliviada, segura. Conversamos um pouco e segui para a entrevista.
Algumas palavras. Tudo rápido e direto. E a vaga era minha.
Pulava de alegria pelo estacionamento do Centro Clínico da PUCRS quando recebi a notícia. Liguei para o meu pai. Foi o primeiro a saber. Ele que sempre me incentivou. Tão preocupado com a sua filhota… Feliz com a conquista.
Depois disquei para o Alessandro. Apesar da gente ter acabado, ele merecia saber da novidade. Sempre acreditou no meu trabalho. Meus olhos encheram de lágrimas quando nos falamos…
Documentos encaminhados e já comecei a correria.
Os primeiros dias foram assustadores. O que era aquele ENPS? Fora de sério… E o TP então? Totalmente estranho para mim. E eu só pensava… se errar eu vou derrubar os apresentadores ao vivo. Ficava em pânico.
O tempo passou e comecei a entrar no ritmo. Tanto que hoje é difícil de desacelerar. Factuais? Rondas? Giroflex? Denúncia? Elemento? Tráfico? ÓH CÉUS! Vou sentir falta… Por incrível que pareça…
Porém, o que vai deixar mais saudade são as pessoas maravilhosas que conheci. Aprendi muito com meus colegas… André, Simone, Kellen, Aline R., Aline D., Verinha (!), Farid, Mota, Sheron (já citada), Macedo, Giva, Virgílio, Leandro, Maiko, Émerson, Roger, Papa, Sandra, Vânia, Matheus, Tici, Jairo, Marquinhos, Dudu, Will, Paulo, Derli, Casagrande, Doroche, Marlon, Espicho, Ricardinho, Aline G., Nei, Marcelo Costa, Adri, Zé, meninos do switcher, nossa… tanta gente que devo estar esquecendo de alguém!
Tenho que citar também a Cínthia e o Wagner, sempre colegas… Sempre comigo…

E ele… o que me levou para a pauta mais punk, que passou no meu aniversário sem nem me conhecer ainda, que começou como meu conselheiro amoroso, que sentou perto do telefone no Santíssimo, que ficou me devendo uma avenca, uma patinação no gelo e um passeio no MARGS (mesmo que a exposição já tenho acabado). Ele que deixava meu rosto rosado, minhas mãos suadas, meu estômago embrulhado de nervosismo. Ele…

Bom… Era isso, pessoal. Obrigada por tudo. Pelo carinho, pelos ensinamentos. Vou levar todos do canal 2 sempre comigo!

“Para que explicações? Esqueçamos as coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus”. (Rubem Braga, 1957)


PEQUENO PROJETO DE JORNALISTA

Espaço para opiniões e reflexões. Seja bem-vindo ao meu infinito particular!

Ingrediente da…

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