Os olhos pequeninos se viram em minha direção. Impossível não esboçar um sorriso. A boquinha abre facilmente em uma risada e mostra dois minúsculos dentinhos. A inocência se projeta em uma alma nova. Espírito limpo de qualquer problema.
Os dedos são gordinhos como os de um querido professor que tenho em Porto Alegre. Quando tocam o meu rosto sinto-os ainda mais suaves. As mãos branquinhas insistem em me encobrir com a fraudinha, na sua brincadeira favorita de esconde-esconde.
Cheguei ao mais próximo possível do que a palavra mãe pode significar. Ganhei ano passado um afilhado lindo, que está quase com nove meses. Acordar com ele nos braços, mesmo em uma manhã gelada de inverno em Santa Cruz do Sul, é o melhor despertar.
Vinte e quatro horas depois e braços com certeza mais fortes (e doloridos) senti falta daquele movimento peculiar. O som das suas perninhas rápidas engatinhando pela casa inteira. Seu bater nos móveis. A música dos brinquedos.
Definitivamente, quero um desses pra mim. “Eu tô começando a me acostumar com a idéia”. Reticências…

