Nem acredito que consegui sentar para escrever. Fazia um bom tempo que isso não acontecia. Minha rotina está uma loucura. Alguns chamam de pânico do meio do curso, eu penso que é a síndrome do fim do semestre. Mas enfim, considerem como quiser. É horrível sob qualquer nome.
Virei uma come-trabalha-dorme. Claro que o sono é o que menos ocupa o meu tempo, porém qualquer hora solta serve para um cochilo. Não tinha facilidade para adormecer. Entretanto, nos últimos dias quase perdi a parada da minha casa algumas vezes. Devia estar sonhando que estava na cama, debaixo de um cobertor, com os olhos fechados e a mente aberta.
Em uma dessas tardes chuvosas lembrei de quando minha ocupação era ficar em casa olhando Sessão da Tarde. Que saudade daqueles filmes cafonas. Quem diria que um dia eu afirmaria algo assim. Inacreditável. O que o stress faz com as pessoas.
O frio me recorda pantufas. Queria meu Scooby Doo aqui comigo, seria um pouco mais agradável trabalhar. Um cobertor também não seria tão ruim. Ou uma ilha de edição situada em um colchão fofinho.
Fico por aqui com os meus devaneios. Definitivamente, preciso de férias. Uns dias em casa. Sozinha. Comigo mesma. Com o DVD. E muitos episódios de “Friends”.
Arquivo para Maio, 2008
“Olha aí o presidente da nossa Portelinha”, anuncia o oficial de justiça Nésico Sandi. Assim, ele se refere ao senhor de expressão cansada Anselmo Selvino Machado. “Seu” Anselmo, como é conhecido na Vila São Pedro, ocupa o cargo de presidente da Associação dos Moradores do local. A comparação com Juvenal Antena, personagem da novela “Duas Caras”, surge de forma espontânea. No entanto, os problemas enfrentados na comunidade de Porto Alegre estão longe de ser apenas ficção. Entre tantas dificuldades, uma das que contribui para deixar ainda mais abatida a fisionomia do homem de 65 anos é o lixo.
Ao caminhar pelas ruelas é impossível não reparar na sujeira. No meio de sacolas rasgadas circulam crianças, cachorros e ratos. Segundo Eva Vidal, que mora na comunidade há cerca de 15 anos, é difícil viver diante da atual situação. “Esqueceram que nós somos humanos”, afirma mencionando o descaso da Prefeitura Municipal. A mulher de 57 anos declara ainda: “Nós estamos perdidos aqui no meio da imundice”.
O responsável pela Vila do Cachorro Sentado (como o local também é conhecido) não esconde a indignação com os próprios moradores: “O pessoal é muito relaxado”. Ele alega que o município “faz a sua parte” com a coleta seletiva três vezes por semana. No entanto, sempre existem materiais deixados diretamente no solo. Além disso, a poluição se estende ao Arroio Dilúvio. Com freqüência, grandes quantidades de lixo são jogadas nas águas que correm pela Avenida Ipiranga.
Doracilda Adelina Silva tem 72 anos e é habitante da São Pedro há 30. Ela aponta com preocupação as doenças geradas pela falta de cuidados com o ambiente. “Convivemos com moscas, baratas e pulgas”. Em relação à saúde, Anselmo concorda que as pessoas estão expostas a diversos perigos. Devido à sujeira, é comum a aparição de ratos, o que pode ocasionar leptospirose. De acordo com o presidente da Associação dos Moradores já foram tratados dois casos da bactéria.
O local é propício para a propagação da dengue. Existem diversos pontos com água parada. A Secretaria do Meio Ambiente esteve na comunidade neste verão, porém, não foi feito nenhum trabalho de conscientização. “Foi apenas uma visita”, recorda Doracilda. E assim a vida segue para a população que espera ansiosa por saneamento básico e condições mínimas de sobrevivência.
Ando afastada do blog, mas pretendo voltar em breve. Estou envolvida atualmente com outro estágio. Quem quiser conferir meu trabalho é só assistir aos vídeos da capa do site da PUCRS.
Até breve!
A jovem morena entra com o sorriso no rosto. O cabelo escuro tem um brilho peculiar. Ela logo se apresenta e começa a falar. Durante os cerca de 70 minutos posteriores, é a sua voz um tanto rouca que domina o ambiente. Na posição de espectadores estão os alunos do quinto semestre de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Já o cargo de apresentadora da aula do dia pertence a mesma que lidera o RBS Esporte: Alice Bastos Neves.
Uma das suas primeiras afirmações é de que não imaginava trabalhar na televisão, muito menos na área esportiva. Formada pela PUC no fim de 2005, elaborou seu trabalho de conclusão sobre jornalismo cultural. No entanto, a oportunidade de trabalhar na RBS TV abriu um novo caminho para a jornalista de apenas 23 anos.
Atualmente, ela completa a rotina turbulenta com a paixão pelo esporte. Cada matéria sobre uma modalidade diferente faz com que Alice queira vivenciar a novidade. Porém, seu tempo é reduzido e quando o horário permite a opção é pelo sapateado, dança que a conquistou há alguns anos.
Em 2007, a moça natural de Pelotas foi escalada para realizar a cobertura do Pan Americano do Rio de Janeiro. Sobre a experiência, afirma que foi muito construtivo trabalhar em um evento tão grandioso e com tamanha estrutura. Ressalta também que o esporte olímpico tem carência de espaço, o que facilita o acesso aos atletas. Sendo assim, é possível realizar um acompanhamento intenso do desenvolvimento do esportista. A apresentadora enfatiza essa luta diária, tanto por destaque quanto por superação.
A reportagem é uma das atividades preferidas de Alice. Ela pensa que conhecer a história de alguém e passar essa trajetória para os outros é incrível. Além disso, confessa que sentiu inicialmente um temor com o “ao vivo”. Contudo, a prática a deixou melhor preparada: “A adrenalina do ao vivo é show de bola”.
Para a jornalista, o importante é o presente: “Minha meta é trabalhar e conforme as oportunidades ir traçando o meu caminho”. A repórter acredita no jornalismo e no esporte como transformador social. Ela também expõe que embora algumas situações a desanimem na profissão, a vontade de continuar prevalece. “Não dá para perder o brilho no olho”, conclui Alice.

