Arquivo para Março 31st, 2008

Saudades paterna pela voz de Chico Buarque

Quando eu era pequena meu pai sempre cantava um trecho de uma música para mim. Hoje lembrei desse fragmento e resolvi escutar a canção pela primeira vez. Foi emocionante, ainda mais na voz de Chico Buarque. Confira abaixo a letra com alguns comentários e um vídeo com “João e Maria”.

Agora eu era o herói (meu pai sempre foi um herói)
E o meu cavalo só falava inglês (pena que não tinha um cavalo, mas ficava imaginando um cavalo falando e ainda por cima inglês)
A noiva do cowboy (aqui entro eu na história)
Era você além das outras três (safado esse cowboy)
Eu enfrentava os batalhões (e eram muitos)
Os alemães e seus canhões (acho que meu pai não enfrentaria os alemães, afinal, ele é um)
Guardava o meu bodoque (com certeza o pai tinha um bem “artesanal” quando pequeno)
E ensaiava o rock para as matinês (ou uma bossa nova)

Agora eu era o rei (sempre foi um rei para mim, assim eu automaticamente podia ser uma princesa)
Era o bedel e era também juíz (e que juíz cruel quando queria)
E pela minha lei (muitas leis…)
A gente era obrigado a ser feliz (e sempre fomos)
E você era a princesa que eu fiz coroar (a tua princesinha)
E era tão linda de se admirar (pelo menos tu sempre dizia isso)
Que andava nua pelo meu país (quando bebê só)

Não, não fuja não (desculpa, pai, tive que fugir)
Finja que agora eu era o seu brinquedo (não brincaria contigo)
Eu era o seu pião (às vezes eu te usava como um pião mesmo)
O seu bicho preferido (bicho não, preferido sim)
Vem, me dê a mão (eu dou)
A gente agora já não tinha medo (nunca tive)
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido (acho que eu já, talvez tu não)

Agora era fatal (sempre tem uma notícia fatal no fim)
Que o faz-de-conta terminasse assim (talvez não tenha terminado ainda)
Pra lá deste quintal (sinto falta daquele quintal, aqui só me resta uma sacada)
Era uma noite que não tem mais fim (a noite acabou)
Pois você sumiu no mundo sem me avisar (eu avisei pai)
E agora eu era um louco a perguntar (louco não)
O que é que a vida vai fazer de mim? (eu sempre vou voltar)

Poesia Noturna

Mãos que carregam alma e sentimento.

Mãos que tocam a mente.

Mãos que procuram o meu corpo.

Mãos que apertam cada centímetro da minha pele.

Mãos dos dedos com unhas roídas.

Mãos.

As tuas mãos.

Apenas as tuas.


PEQUENO PROJETO DE JORNALISTA

Espaço para opiniões e reflexões. Seja bem-vindo ao meu infinito particular!

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