Hoje caminhava pelo Campus da PUCRS. Não estava com pressa, apenas desejava aproveitar cada segundo exposta ao sol ameno. O dia agradável me seduzia. O céu azul claro com poucas nuvens fofinhas era um convite para um chimarrão na Encol. No entanto, o estágio me aguardava.
No caminho entre o Banco do Brasil e a FAMECOS algo especial despertou a minha atenção. Uma jabuticabeira de tamanho médio morava ao lado do RU. Senti saudades.
Saudades de quando era menina e ia toda tarde até a casa da minha avó materna. Meu avô brincava comigo e caminhavámos juntos pelo imenso quintal.
Entre tantas árvores altas, a minha favorita era a de jabuticaba. Adorava as frutinhas roxas que brotavam no fim da primavera. Porém, o melhor era as comer pendurada nos galhos compridos. Sem lavar mesmo, para o nojo de alguns. Era o momento e o lugar que davam o sabor especial.
Lembrei também de que minha avó falava que meus olhos pareciam bolicas escuras. Olhos de jabuticaba, ela dizia. Eu ria da comparação. Hoje deixo escapar um sorriso pela recordação.
Gosto muito de viver esse mundo. No Campus, tenho um pouquinho de tudo, inclusive da minha velha infância. Consigo até sentir o cheiro daquelas tardes preguiçosas de anos atrás. Cheirinho da casa da vovó. Cheirinho de Venâncio.

