Arquivo para Março, 2008

Saudades paterna pela voz de Chico Buarque

Quando eu era pequena meu pai sempre cantava um trecho de uma música para mim. Hoje lembrei desse fragmento e resolvi escutar a canção pela primeira vez. Foi emocionante, ainda mais na voz de Chico Buarque. Confira abaixo a letra com alguns comentários e um vídeo com “João e Maria”.

Agora eu era o herói (meu pai sempre foi um herói)
E o meu cavalo só falava inglês (pena que não tinha um cavalo, mas ficava imaginando um cavalo falando e ainda por cima inglês)
A noiva do cowboy (aqui entro eu na história)
Era você além das outras três (safado esse cowboy)
Eu enfrentava os batalhões (e eram muitos)
Os alemães e seus canhões (acho que meu pai não enfrentaria os alemães, afinal, ele é um)
Guardava o meu bodoque (com certeza o pai tinha um bem “artesanal” quando pequeno)
E ensaiava o rock para as matinês (ou uma bossa nova)

Agora eu era o rei (sempre foi um rei para mim, assim eu automaticamente podia ser uma princesa)
Era o bedel e era também juíz (e que juíz cruel quando queria)
E pela minha lei (muitas leis…)
A gente era obrigado a ser feliz (e sempre fomos)
E você era a princesa que eu fiz coroar (a tua princesinha)
E era tão linda de se admirar (pelo menos tu sempre dizia isso)
Que andava nua pelo meu país (quando bebê só)

Não, não fuja não (desculpa, pai, tive que fugir)
Finja que agora eu era o seu brinquedo (não brincaria contigo)
Eu era o seu pião (às vezes eu te usava como um pião mesmo)
O seu bicho preferido (bicho não, preferido sim)
Vem, me dê a mão (eu dou)
A gente agora já não tinha medo (nunca tive)
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido (acho que eu já, talvez tu não)

Agora era fatal (sempre tem uma notícia fatal no fim)
Que o faz-de-conta terminasse assim (talvez não tenha terminado ainda)
Pra lá deste quintal (sinto falta daquele quintal, aqui só me resta uma sacada)
Era uma noite que não tem mais fim (a noite acabou)
Pois você sumiu no mundo sem me avisar (eu avisei pai)
E agora eu era um louco a perguntar (louco não)
O que é que a vida vai fazer de mim? (eu sempre vou voltar)

Poesia Noturna

Mãos que carregam alma e sentimento.

Mãos que tocam a mente.

Mãos que procuram o meu corpo.

Mãos que apertam cada centímetro da minha pele.

Mãos dos dedos com unhas roídas.

Mãos.

As tuas mãos.

Apenas as tuas.

Muita desilusão para uma semana só

Estava eu no mercado tranqüila na fila dos frios. De repente, enxerguei um garoto moreno vindo em minha direção. Ele era bonito e logo percebi que estava acompanhado. Não reparei na mulher ao seu lado, porém, quando eles passaram por mim, reconheci a voz feminina.

Para ter certeza de quem era a moça, resolvi seguir a dupla por entre tantas prateleiras. Os encontrei próximo ao caixa e tive certeza: era a Débora Secco. Baixinha e magricela, parecia uma menina. Os cabelos estavam soltos e com um certo volume. Ela usava um vestido simples e tênis.

Definitivamente, atrizes também são humanas. Antes, eu não tinha certeza absoluta disso. Celebridades parecem não ter uma vida real, cansativa e repleta de problemas como a minha. Entretanto, Débora Secco vai ao mercado. Pelo jeito ela come, embora não muito. Fiquei decepcionada e os famosos perderam a áurea divina que eu imaginava ao redor deles.

Como se não fosse suficiente, hoje pela manhã encontrei um professor da faculdade no ônibus lotado. Assim como eu, ele lutava para se equilibrar entre a multidão. Não acreditei na cena. Outra desilusão, afinal, mestres também são de certo modo elevados a um patamar acima da população geral.

Sendo assim, confirmei que celebridades, tanto globais quanto acadêmicas, são seres humanos. Detalhe: às vezes eles moram no mesmo bairro que o seu. E a propósito, o bonitão que acompanhava a Débora Secco no mercado não era o Roger e sim, Nilmar, amigo do casal e jogador do Internacional.

O valor de uma lembrança

Eu estava trabalhando normalmente quando um email despertou a minha atenção. Abri e começei e ler. No rosto, um sorriso tímido. Nos olhos, lágrimas insistiam em cair.

O texto abaixo escrevi para você, já faz algum tempo. Nas primeiras vezes que visitei teu blog no ano passado. Na época tentei te enviar, mas não consegui por vários motivos. Hoje, estava organizando as pastas do meu computador e encontrei-o novamente. Então, agora vai…

Hoje talvez seja um daqueles dias onde a esperança e a felicidade invadiu minha alma em relação ao futuro das novas gerações. Em meio ao estado atormentado que se vive, com total perda do sentido existencial. Onde as relações familiares se encontram dilaceradas e com aumento progressivo do empobrecimento das relações interpessoais, ficando as mesmas a nível superficial. Numa época em que o outro é visto como simples objeto de satisfação e conquista, num triste contexto social em que o “Ter” tem a supremacia em relação a “Ser”. Acompanhar jovens mudando essa realidade é muito bom, nos traz novas expectativas em relação ao amanhã. E você Ananda, me parece ser um desses jovens.

É interessante perceber a cegueira humana frente às coisas simples e belas do Universo Natural. O Homem moderno encontra-se perdido entre os apelos constantes de consumo e as necessidades de sua alma. Se por um lado os bens de consumo geram status e uma “felicidade” transitória, por outro, a nossa alma clama por afeto e segurança, que só são possíveis com investimento e implicação pessoal.

Resgatar o sentido da alma e do existir, é o desafio da humanidade neste terceiro milênio e, é nesse sentido que meu coração pulsa de alegria quando vejo nascer uma jovem jornalista com a capacidade reflexiva e questionadora sobre as regras instituídas, mas acima de tudo, perceber em seus escritos a presença de um ser humano vivo. Com sentimentos, dúvidas, incertezas e uma intensa capacidade de demonstrar afeto e gratidão por aquilo que é vivenciado.

Querida Ananda, continue ouvindo o seu coração, pois a razão e a intelectualidade só fazem sentido e produzem novos conhecimentos, quando em equilíbrio com o coração. Pois é ele que possui a capacidade de imprimir posicionamentos a partir dos sentimentos mais nobres e profundos, com uma implicação efetiva e responsável na vida e faz a diferença na história.

Boa sorte e sucesso para você!

Bjs e Abçs
Alexandra Weizemann
“É muito gratificante ter acesso a um texto escrito, por uma jovem jornalista e uma jornalista jovem, com profunda sabedoria. A sabedoria que falo é a sabedoria da vida, que é a sabedoria mais importante e simples, nós que complicamos.”

Salvação em meio ao pecado

A barba bem feita contrasta com o pedaço da camisa para fora da calça. O homem de estatura média entra calmamente pela sala da turma do quinto semestre de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Os olhos cansados dos alunos denunciam a data: segunda-feira, pós-feriado de Páscoa, dia 24 de março. Mesmo assim, José Mitchell desperta a atenção dos acadêmicos. E não é apenas pela camisa desalinhada.

O jornalista vem com a proposta de abordar a editoria de política. No entanto, ele oferece muito mais. O período de uma hora foi preenchido com histórias e personagens desconhecidos por muitos ali presentes. A construção da democracia brasileira esteve em pauta. Além disso, conceitos sobre o jornalismo foram relembrados e relacionados com a prática.

Dos 38 anos de profissão, 30 foram dedicados à sucursal gaúcha do Jornal do Brasil. Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Mitchell viveu uma época mercante: a da ditadura militar no país. Suas experiências renderam um livro sobre o assunto. A obra “Segredos à direita e à esquerda na ditadura militar” foi lançada em 2007.

O profissional tratou também das mudanças da mídia. Antigamente, o jornal era o veículo de destaque. Hoje, existe disputa entre as publicações impressas, a internet, o rádio e a televisão. Além disso, o público passou a produzir conteúdo de forma intensa, devido às novas tecnologias, como os celulares com câmeras fotográficas e filmadoras.

Todos esses fatores e tendências levam a repensar o papel do jornalista. Principalmente na política, observar detalhes, explorar a fonte e procurar um enfoque diferente é fundamental. Tais ferramentas possibilitam desvendar as relações de poder ocultas nos órgãos públicos.

José Mitchell enfatiza ainda que o profissional da comunicação é um contador de histórias. Para tanto, seduzir o leitor se torna uma tarefa essencial e que exige cuidados básicos. Ele cita o escritor inglês Graham Greene: “Sempre há espaço para a salvação em meio ao pecado”. No panorama político atual, essa frase significa esperança. É uma expectativa positiva entre tanto caos e náusea.

Jogador colorado atormenta vizinhos

O atacante Gil, do Internacional, fez com que o domingo de Páscoa dos seus vizinhos tivesse um fim não muito agradável. O morador do bairro Petrópolis resolveu comemorar a vitória de 3 a 1 sobre o Veranópolis com uma festa no seu apartamento. No entanto, o bom-senso não foi convidado e ficou de fora do “agito”.

Já passava da meia noite quando entrei em contato com a portaria. O funcionário afirmou que já tinha interfonado três vezes para o jogador, porém o silêncio havia ficado apenas na promessa. Cabe ressaltar que, segundo as normas do edifício, no domingo o barulho deve ter fim às 22 horas.

Não é a primeira vez que Gil exagera nas comemorações. Praticamente toda semana ele enche sua moradia de convidados. Gritos, música alta e risadas atrapalham o sono dos vizinhos. Reclamações são constantes nessas noites de barulho intenso.

Resta agora esperar providências do responsável pelo prédio. Afinal, os moradores não estão preocupados se o atacante fez ou deixou de fazer gol em determinado jogo. Fatos assim só me deixam mais triste e decepcionada com o futebol e toda a hipocrisia que o envolve.

Imagem da ZERO HORA.com. Gil é o da direita.

Sopa de Letras comemora 1 mês na rede

Uma idéia simples, porém desafiadora. Foi o meu primeiro pensamento quando o Thales contou que queria reunir o pessoal em um portal de blogs. Pensei que seria bom para divulgar o Pequeno Projeto de Jornalista. Além disso, serviria como motivação para eu escrever com mais regularidade. Sendo assim, aceitei a proposta e quando percebi, já estava totalmente envolvida.
Éramos seis. Em menos de um mês já somos onze blogueiros. Cada um com seu estilo próprio e interesses particulares. Entretanto, todos movidos pela sedução das palavras.
Planos para o futuro não faltam. Em breve, o Sopa de Letras terá mais integrantes e novidades na sua apresentação. Todavia, o objetivo inicial está sendo alcançado. Nossas páginas tiveram um aumento representativo de acessos. Isso é uma das provas de que estamos no caminho certo.
Para quem não conhece, vale a pena conferir. Visite o Sopa de Letras e veja que mistura é essa.
Um abraço, Ananda Etges.

Bolicas escuras

Hoje caminhava pelo Campus da PUCRS. Não estava com pressa, apenas desejava aproveitar cada segundo exposta ao sol ameno. O dia agradável me seduzia. O céu azul claro com poucas nuvens fofinhas era um convite para um chimarrão na Encol. No entanto, o estágio me aguardava.

No caminho entre o Banco do Brasil e a FAMECOS algo especial despertou a minha atenção. Uma jabuticabeira de tamanho médio morava ao lado do RU. Senti saudades.
Saudades de quando era menina e ia toda tarde até a casa da minha avó materna. Meu avô brincava comigo e caminhavámos juntos pelo imenso quintal.

Entre tantas árvores altas, a minha favorita era a de jabuticaba. Adorava as frutinhas roxas que brotavam no fim da primavera. Porém, o melhor era as comer pendurada nos galhos compridos. Sem lavar mesmo, para o nojo de alguns. Era o momento e o lugar que davam o sabor especial.

Lembrei também de que minha avó falava que meus olhos pareciam bolicas escuras. Olhos de jabuticaba, ela dizia. Eu ria da comparação. Hoje deixo escapar um sorriso pela recordação.

Gosto muito de viver esse mundo. No Campus, tenho um pouquinho de tudo, inclusive da minha velha infância. Consigo até sentir o cheiro daquelas tardes preguiçosas de anos atrás. Cheirinho da casa da vovó. Cheirinho de Venâncio.

Comentário de Rádio III

No último domingo, o VATICANO divulgou uma lista com novos pecados adaptados à realidade globalizada./ Entre eles estão: usar drogas, fazer modificação genética, poluir o meio ambiente e causar injustiça social./ É no mínimo contraditório tal posicionamento da IGREJA CATÓLICA./ Acredito que uma instituição que prega a humildade não deveria esbanjar tanto luxo./ Além disso, creio que as incoerências internas como os tantos casos de pedofilia precisam de mais atenção da EXCELENTÍSSIMA SANTIDADE./ Condenar a evolução das pesquisas com células-tronco embrionárias é regredir no tempo./ Penso ser uma concepção pequena considerando o êxito possível./ E não me refiro apenas à probabilidades./ Estudos comprovam que as células-tronco são o caminho para a cura de diversas doenças./ Elas significam vida para tantos que sofrem esperando uma nova chance./ Sendo assim, concluo que os ditos pecados sociais não acrescentam nada a um povo que carece de assistência./ Como se não fosse suficiente, a IGREJA CATÓLICA ainda pede que os fiéis se confessem./ O hábito que já foi mais comum é recomendado no máximo 20 dias antes ou depois de pecar./ Eis que surge mais uma incoerência dessa religião: se JESUS é justo, por que um prazo para avaliarmos nossos erros?/ Para RADIOFAM, ANANDA ETGES.//

* O texto está escrito de acordo com as normas de redação de radiojornalismo. Não utilizei a fonte da lauda para manter a uniformidade gráfica do blog.

Carências

Diante da minha crise (dor de garganta, gripe, dor nas costas,…) resolvi fazer uma lista do lado ruim de morar sozinha. Ando pensando muito nesses aspectos negativos…

Se alguém tiver algum item para adicionar, agradeço.

* Ficar doente e não ter quem cuide de você. (Meu caso hoje).

* Nunca ter muita comida em casa. (E o que tem às vezes nem dá para chamar de comida).

* A sujeira ir se acumulando sem que ninguém limpe. (Não tem ninguém para dividir a limpeza também).

* Não ter ninguém te esperando de noite em casa. (Isso faz com que eu acabe falando com as paredes).

* Não ter ninguém para cozinhar ou dividir a louça. (Odeio ambas as funções).

* Aturar o barulho dos vizinhos sozinha. (Ou com a ajuda da televisão em um volume master alto).

* Não ter com quem comentar as trivialidades da vida. (E novamente desabafar com as paredes).

* Não ter com quem dividir uma pizza no meio da noite. (Eu tenho a Paula, mas esporadicamente).

* Ficar sem um despertador humano. (Minha mãe nunca me deixava faltar aula).

* Não ter um homem para trocar a lâmpada ou consertar o chuveiro. (Eles dominam mais essa área de conhecimento).

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PEQUENO PROJETO DE JORNALISTA

Espaço para opiniões e reflexões. Seja bem-vindo ao meu infinito particular!

Ingrediente da…

Do blog para o micro-blog

  • Entregas e prazos. #foi 7 hours ago
  • Cansada... mesmo depois do fim de semana... detalhe: a semana promete ser mega agitada! Ai de mim! 19 hours ago
  • London, calling! 1 day ago
  • Ótimo dia para tomar um banho de chuva! Cuidado, pessoas! A qualquer momento um ônibus pode passar por vocês e dar aquele belo banho! #fail 3 days ago
  • @tmedina eu adorooo! já vou postar meu boletim no blog! 3 days ago

 

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